Genial/Quaest: 82% dos brasileiros defendem código de ética para ministros do STF

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 0:06
O Plenário do STF em sessão extraordinária

Uma pesquisa realizada pelo instituto Genial/Quaest e divulgada nesta quinta-feira (12) mostrou que 82% dos brasileiros acreditam que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria adotar um código de ética e conduta específico para seus ministros. O levantamento revela uma grande aceitação da ideia, que visa formalizar regras para a atuação dos integrantes da Corte. Apenas 10% dos entrevistados discordaram dessa proposta.

O apoio à criação de um código de ética foi forte em todos os recortes analisados. Regionalmente, o Sul teve a maior adesão, com 86% dos entrevistados favoráveis à medida, enquanto o Nordeste teve 76%. No Sudeste, a concordância foi de 84%, e no Centro-Oeste/Norte, 79%. Em termos de faixa etária, os jovens de 16 a 34 anos mostraram um apoio mais expressivo (85%), enquanto os mais velhos, acima de 60 anos, tiveram menor adesão (74%).

O apoio à ideia também atravessa divisões políticas e ideológicas. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 88% defendem a adoção do código de ética, enquanto entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o índice é de 76%. Entre os que se consideram de direita não bolsonarista, a aprovação alcança 92%, refletindo uma forte demanda por mais transparência e responsabilidade por parte dos ministros do STF.

Apesar de uma grande aprovação por parte do público, o tema ganha relevância no contexto do caso Banco Master, em que o ministro Dias Toffoli, relator do processo, tem sido alvo de investigações e discussões sobre sua imparcialidade. O questionamento sobre o comportamento dos ministros do STF em relação aos interesses privados e a gestão de possíveis conflitos de interesse tem sido amplificado, especialmente após as revelações sobre o envolvimento de Toffoli com o fundo Maridt e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O ministro Dias Toffoli

A pesquisa também destaca que o apoio ao código de ética é maior entre aqueles que desaprovam o governo de Lula (87%) do que entre os que aprovam (76%), o que indica que a medida transcende questões partidárias e ideológicas. Isso mostra que há um clamor por maior transparência no funcionamento da mais alta Corte do país, independentemente das filiações políticas de seus apoiadores.

Além disso, a pesquisa trouxe à tona a desconexão de muitos brasileiros em relação ao entendimento profundo do funcionamento do STF e sua relação com o poder político. Apenas 12% dos entrevistados afirmaram entender bem o que implicaria a criação de um código de ética, enquanto 62% disseram já ter ouvido falar sobre a proposta, mas com pouco conhecimento sobre suas implicações. Isso aponta para uma necessidade de maior esclarecimento público sobre o tema.

Entre os entrevistados, a maior adesão veio dos homens (84%) em comparação com as mulheres (79%), refletindo uma ligeira diferença de opinião entre os gêneros sobre o controle e a fiscalização da atuação dos ministros do STF. Esse dado revela um campo ainda a ser explorado no debate público sobre a relação entre gênero e as expectativas de transparência em cargos públicos.

Por fim, a pesquisa foi conduzida entre os dias 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 pessoas de todo o Brasil, e possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.