
Conselheiros da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmam que o parlamentar não pretende explorar politicamente a crise envolvendo o ministro Dias Toffoli e o Supremo Tribunal Federal. A avaliação interna é de que ataques à Corte poderiam reavivar tensões institucionais associadas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e prejudicar o desempenho eleitoral do senador, que tem apresentado crescimento nas pesquisas.
Segundo a Folha de S.Paulo, aliados entendem que abrir uma frente contra o STF traria memórias do período de embates entre o Executivo e o Judiciário e desviaria o foco do momento considerado positivo da campanha. Além disso, o fato de Toffoli ter sido indicado ao tribunal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz com que o desgaste político do episódio seja visto como mais prejudicial ao governo federal do que à oposição.
A crise no Supremo foi desencadeada após a saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master. O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça, indicado ao catgo por Bolsonaro e sorteado para assumir a condução das investigações sobre suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo a instituição financeira.
A mudança ocorreu após os dez ministros da Corte divulgarem nota conjunta afirmando que, “considerados os altos interesses institucionais”, foi acolhida a decisão de Toffoli de deixar o processo.

A Presidência do STF iniciou, simultaneamente, os procedimentos para extinguir a arguição de suspeição aberta após a Polícia Federal apresentar relatório com “menções” ao nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O material foi apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero e analisado em reunião reservada convocada pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin.
O encontro, descrito por participantes como tenso, teve duração aproximada de três horas e incluiu a apresentação do relatório sigiloso. Segundo relatos, o documento faz referência a negociações envolvendo um resort no Paraná que teria ligação com a estrutura investigada. Toffoli admitiu ser sócio do empreendimento, mas afirmou não ter relação com Vorcaro ou familiares do empresário.
Ao perceber resistência crescente à sua permanência, o ministro indicou que poderia deixar a relatoria “a pedido”, o que permitiu um acordo entre os colegas. Em contrapartida, os magistrados reconheceram “a plena validade dos atos praticados” por ele, evitando a anulação das provas já produzidas e assegurando continuidade ao processo no STF.