
O presidente da 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, desembargador Josaphá Francisco dos Santos, deu uma bronca no advogado de Pedro Turra após o defensor se manifestar sobre a prisão do pioloto que espancou o adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, causando sua morte.
Durante o julgamento do habeas corpus, realizado na última quinta-feira (12), o magistrado classificou como equivocada a afirmação de que o piloto teria sido detido por fatores sociais e raciais. A defesa havia alegado que Turra “foi preso por ser branco e de classe média”, argumento rejeitado pelo tribunal.
“Com todo respeito à entrevista, é uma total desinformação e desconhecimento do Tribunal”, afirmou Josaphá dos Santos durante a sessão. O desembargador acrescentou que a declaração é “lamentável, porque, quem reside no Distrito Federal, sabe da persistência e da lisura desse Tribunal de Justiça”.
➡️ Advogado de piloto que mandou jovem à UTI: “Foi preso por ser branco e de classe média”
A defesa de Pedro Turra, de 19 anos, pede imparcialidade por parte da Justiça do Distrito Federal e lisura no processo
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— Metrópoles (@Metropoles) February 3, 2026
Relator do pedido, o desembargador Diaulas Ribeiro também rebateu a fala do advogado e destacou sua trajetória na Corte. “O ilustre advogado deu uma entrevista e disse que este tribunal só prendeu este rapaz porque ele é branco e rico; se ele fosse preto e pobre, estaria solto. Eu decido, com a minha consciência, com os meus mais de 40 anos de vida jurídica neste tribunal, inclusive, e não tenho nenhuma razão para ficar debatendo esse tipo de acusação. Depois, a minha assessoria passou um pedido de desculpas dele, mas não é daquela forma que se ofende, e não é daquela forma que se pede desculpas”, declarou.
Por unanimidade, a 2ª Turma Criminal manteve a prisão preventiva de Pedro Turra, decretada em 30 de janeiro. Ele é apontado como responsável pela agressão que resultou na morte do adolescente Rodrigo Castanheira. A vítima ficou gravemente ferida, foi internada em estado crítico na unidade de terapia intensiva e não resistiu.
No início do mês, o relator já havia negado a soltura do acusado. Agora, os três desembargadores do colegiado reafirmaram a decisão, entendendo que permanecem os requisitos para a manutenção da prisão. O caso ganhou novo desdobramento após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios oferecer denúncia por homicídio doloso por motivo fútil, quando há intenção de matar.
Com a nova tipificação, Turra pode ser condenado a pena de até 30 anos de prisão, caso seja considerado culpado. O Ministério Público também solicitou que o acusado seja condenado ao pagamento de indenização por danos morais à família da vítima, sugerindo valor mínimo de R$ 400 mil.