Ligação entre Toffoli e Vorcaro aumenta pressão sobre Alcolumbre e dá força à CPI

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 8:20
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

Transações atribuídas ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, intensificaram a pressão política pela abertura de investigações no Congresso e colocaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no centro das cobranças, conforme informações do UOL.

Parlamentares favoráveis à apuração afirmam que a revelação de uma engenharia financeira apresentada pela Polícia Federal, que teria direcionado R$ 20 milhões do Banco Master ao ministro e a seus irmãos, tornou insustentável a omissão do Legislativo.

A movimentação ganhou força após Toffoli se afastar da relatoria do caso Master nesta quinta-feira (12), substituído por sorteio pelo ministro André Mendonça.

Senadores passaram a defender a abertura de uma comissão de inquérito, argumentando que o custo político de não investigar ficou elevado. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) avalia que a situação fortalece o discurso pela instalação de uma CPI e tenta convencer partidos do Centrão a pressionar Alcolumbre.

O presidente do Senado também recebeu um pedido de impeachment contra Toffoli com 51 assinaturas, inclusive de um parlamentar governista. Outras iniciativas incluem convocações para que Vorcaro e familiares do ministro prestem esclarecimentos no Congresso.

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Foto: Reprodução

Para o senador Eduardo Girão (Novo-CE), não há espaço para barrar as apurações, sob risco de gerar suspeitas sobre tentativa de abafamento. Ele citou ainda que o diretor-presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos — aliado político de Alcolumbre — adquiriu R$ 400 milhões em títulos do Banco Master, apesar de alertas de risco, o que ampliou as críticas sobre possíveis conexões políticas no caso.

Disputa entre CPI e CPMI

Nos bastidores, parlamentares avaliam que uma CPI exclusiva do Senado seria mais fácil de conduzir, enquanto uma CPMI, com deputados e senadores, teria controle político mais complexo. A oposição já reuniu assinaturas suficientes para pedir a comissão mista — 237 deputados e 42 senadores —, número acima do mínimo necessário, mas a leitura do requerimento depende de Alcolumbre, que ainda não marcou sessão conjunta para isso.

Governistas resistem à CPMI, argumentando que a iniciativa busca desgastar o Supremo Tribunal Federal. Na Câmara, a abertura de uma CPI semelhante enfrenta entraves regimentais e falta de prioridade na pauta, já que há outros requerimentos na fila e a presidência da Casa não demonstrou intenção de alterar a ordem.

Novas frentes de investigação

O caso também mobiliza outras comissões do Congresso, que planejam ouvir personagens ligados ao escândalo após o Carnaval. Há previsão de votação de convocações de irmãos do ministro em uma CPI já existente, além de depoimentos de Vorcaro na Comissão de Assuntos Econômicos e na CPMI do INSS.

O acúmulo de pedidos evidencia o grau de pressão política sobre a presidência do Senado e indica múltiplas frentes de apuração simultâneas. Parlamentares da oposição já discutem medidas caso a investigação seja barrada, incluindo representação contra Alcolumbre no Conselho de Ética, com o objetivo de provocar desgaste político em ano eleitoral.

Também há ameaça de representação contra o procurador-geral da República por suposta inação diante das denúncias. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou que vai representar contra Paulo Gonet se ele continuar a não agir contra Toffoli.

Outra ala do Congresso avalia que o conteúdo do celular de Vorcaro, que teria conversas com diversos parlamentares, pode influenciar a disposição política para avançar nas investigações.