
O recente afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master e a indicação de André Mendonça para o cargo geraram um novo ponto de tensão no Congresso Nacional. Com informações da CNN Brasil.
Parlamentares de diferentes espectros começaram a levantar a hipótese de um novo “acordão”, termo usado para descrever um acordo entre os Poderes Executivo e Legislativo que vise a resolver disputas políticas. Embora alguns integrantes da oposição se mostrem resistentes à ideia, ela vem ganhando força nos bastidores, sendo defendida até por parlamentares próximos ao presidente Lula.
O possível arranjo político envolve, entre outras questões, o avanço de um processo de impeachment contra Toffoli ainda em 2026, com o objetivo de atender à pressão da oposição, que tem se mostrado incansável nas críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em troca, o Senado estaria disposto a aprovar a indicação de Jorge Messias ao STF. Nesse contexto, o Centrão assumiria a responsabilidade de indicar o sucessor de Toffoli, enquanto o ministro, fora da Corte, seria “blindado” em relação a investigações sobre o caso Master.
A articulação ganha força entre parlamentares do PT, partido ao qual Toffoli tem ligação histórica, especialmente por seu papel como advogado da legenda e ministro no governo petista.
Uma fonte próxima à negociação revelou que o grupo que defende o acordo acredita que, embora a saída dele possa ser um gesto importante à oposição, a preservação de Alexandre de Moraes, atual ministro mais próximo ao Congresso, seria crucial.

O temor no PT, no entanto, está centrado no fato de que o envolvimento de Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, possa respingar politicamente no presidente Lula, especialmente considerando a relação entre ambos.
O pedido de impeachment contra Toffoli, protocolado na última quinta-feira, cita pagamentos de Daniel Vorcaro a Toffoli, o que tem gerado discussões acirradas nos bastidores.
A oposição aposta na hipótese de que mais informações comprometedores possam ser reveladas, inclusive no celular de Vorcaro, que teria menções a Moraes e à sua esposa, Viviane Barci de Moraes, advogada envolvida em um contrato milionário com o Banco Master.
Para os parlamentares da oposição, esses elementos podem se tornar mais um caso de desgaste para o governo, principalmente em um ano eleitoral. O novo “acordão” proposto difere dos pactos discutidos anteriormente, que buscavam a permanência de Toffoli no cargo em troca da suspensão de CPIs e investigações no Congresso.
Na versão anterior, o pacto sugeria que todas as partes estariam protegidas, mas com o avanço das investigações sobre o Banco Master, essa estratégia parece ter perdido força. Agora, o governo cogita sacrificar Toffoli em nome de uma solução política mais ampla, que favoreça a estabilidade do governo e o avanço das negociações no STF.
Por outro lado, a oposição avalia que as revelações envolvendo Toffoli representam apenas a ponta do iceberg. Para eles, a possibilidade de novos desdobramentos pode fazer com que o impeachment do ministro se torne inevitável, sem a necessidade de acordos ou pactuações políticas.