
Os diálogos obtidos pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registram menções a uma ordem de pagamento de R$ 20 milhões para um resort no qual o ministro do STF Dias Toffoli possuía participação societária. As conversas citam nominalmente a advogada Roberta Rangel, ex-esposa do ministro. Com informações do Estadão.
Segundo o relatório, Vorcaro menciona Roberta Rangel em diálogos com outros interlocutores. A PF aponta indícios de que ela teria atuado juridicamente para o Banco Master enquanto ainda era casada com Toffoli. O casal se separou no ano passado. Nesta etapa, a corporação informou que não houve aprofundamento para verificar a existência de contrato direto entre ela e o banco.
Por meio da assessoria do STF, Toffoli declarou em nota que “não é administrador nem gestor da Maridt” e que “sempre se declarou impedido de julgar causas” em que a ex-esposa atuava.
Anteriormente, o ministro classificou as informações do relatório policial como “ilações”, negou relação de amizade com Vorcaro e afirmou que não recebeu pagamentos do banqueiro. Toffoli confirmou ser sócio da empresa. A defesa de Vorcaro não havia se manifestado até a última atualização.
O relatório foi entregue nesta semana pela PF à Presidência do STF, compartilhado com os ministros da Corte e encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A fundamentação jurídica menciona a possível existência de indícios de crimes. Ainda não há definição da PGR sobre providências.
Após reunião realizada na noite de quinta-feira (12), Toffoli aceitou deixar a relatoria do caso. O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça. Na mesma decisão, os ministros extinguiram o procedimento aberto a partir do relatório da PF que tratava de eventual suspeição.

O documento também descreve diálogos de WhatsApp entre Vorcaro e Toffoli com marcação de encontros sociais, além de registros de ligações telefônicas entre os dois, sem detalhamento de conteúdo.
Em conversas com o cunhado Fabiano Zettel, Vorcaro faz referências a Toffoli e ao resort Tayayá, no Paraná. De acordo com investigadores, os interlocutores mencionam conhecimento sobre a participação societária do ministro no empreendimento.
Em um dos trechos, Vorcaro orienta Zettel a realizar aporte de R$ 20 milhões no Tayayá. A informação foi divulgada inicialmente pela CNN e confirmada pelo Estadão. A PF informou que ainda não realizou diligências para verificar se os valores foram pagos ou o destino dos recursos.
Após a entrega do relatório, Toffoli declarou publicamente ser sócio da empresa Maridt, ligada ao resort, e afirmou ter recebido dividendos, sem detalhar cifras. Oficialmente, a Maridt é dirigida por dois irmãos do ministro e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. Parte dessa fatia foi vendida a um fundo de Zettel.