
O encontro reservado entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que antecedeu a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master foi marcado por críticas à atuação da Polícia Federal e por forte preocupação com a imagem da Corte. A sessão ocorreu na quinta-feira (12) e discutiu o relatório produzido pela PF que mencionava o ministro e embasava pedidos para seu afastamento do processo. Com informações da Folha.
Segundo relatos publicados pela imprensa, oito dos dez ministros teriam se posicionado pela permanência de Toffoli no caso. Apenas Edson Fachin e Cármen Lúcia sinalizavam posição contrária. Ainda assim, prevaleceu uma proposta articulada por Flávio Dino: o tribunal divulgaria uma nota conjunta de apoio ao colega, enquanto Toffoli aceitaria encaminhar o processo para redistribuição, movimento visto como forma de preservar a institucionalidade e reduzir desgastes.
Durante a reunião, magistrados analisaram um relatório de cerca de 200 páginas elaborado pela Polícia Federal. O documento reunia cruzamentos de dados, mensagens e informações obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, além de menções à ex-mulher de Toffoli. Parte dos ministros avaliou que o material extrapolaria a tese de “encontro fortuito”, expressão usada pela corporação ao justificar referências indiretas ao magistrado.
Novo relador do caso Master no STF, André Mendonça se reúne com delegados da PF nesta sexta-feira (13) pic.twitter.com/xNQGqz2WKC
— Rádio BandNews FM (@radiobandnewsfm) February 13, 2026
Também foram discutidos os limites legais para investigações envolvendo autoridades com foro no STF e a necessidade de autorização judicial prévia quando apurações alcançam membros da Corte. Houve críticas à condução do caso e à forma como o relatório chegou ao tribunal, além de questionamentos sobre eventual impacto na separação entre os Poderes.
A preocupação com a imagem pública do Supremo permeou as manifestações. Ministros destacaram o risco de desgaste institucional diante da repercussão do caso e defenderam uma solução que evitasse prolongar a crise. Nesse contexto, a saída de Toffoli da relatoria foi apresentada como medida para conter questionamentos processuais e reduzir tensões entre o tribunal e a Polícia Federal.
Menos de 12 horas após o sorteio que definiu André Mendonça como novo relator, o ministro convocou delegados citados no relatório para uma reunião presencial nesta sexta-feira (13), marcando o início das providências sob a nova condução do processo.