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Pai que matou filha após discussão sobre Trump não será denunciado

Lucy Harrison e Kris Harrison. Foto: Reprodução

Um pai do Texas que matou a própria filha depois de uma discussão envolvendo o presidente Donald Trump não responderá criminalmente.

Segundo uma especialista em direito penal ouvida pela imprensa americana, a decisão está ligada ao perfil conservador do condado onde o caso foi analisado.

Kris Harrison atirou na filha, Lucy Harrison, de 23 anos, em 10 de janeiro de 2025, na cidade de Prosper, subúrbio de Dallas. Ele afirmou que a pistola Glock 9 mm disparou acidentalmente enquanto a mostrava à jovem, após um desentendimento político que incluiu debate sobre porte de armas.

A advogada criminal Lindsay Richards, ex-promotora e sócia do escritório Coker and Connelly, declarou que o fato de Harrison não ter sido indiciado reflete o ambiente político de Collin County, área de perfil conservador e historicamente favorável ao porte de armas. Para ela, a decisão do júri não pode ser dissociada do clima político local.

Richards afirmou que a acusação por homicídio culposo ou por homicídio por negligência criminosa seria juridicamente possível. Nesse tipo de crime, a promotoria precisaria demonstrar que o acusado deixou de perceber um risco substancial que uma pessoa razoável teria identificado.

Lucy Harrison. Foto: Reprodução

Outro ponto destacado foi o consumo de álcool. Segundo informações do caso, Harrison teria ingerido uma embalagem de 500 ml de vinho branco na manhã do disparo. Para a advogada, esse elemento deveria ter sido considerado na avaliação de negligência.

Lucy morava com a mãe em Warrington, na Inglaterra, e estava visitando o pai quando ocorreu a discussão. O tiro atingiu seu peito dentro do quarto dele.

Em junho, um grande júri do Texas concluiu que a morte foi acidental. A mãe da jovem, Jane Coates, classificou a decisão como incompreensível.

Apesar de o Texas possuir legislação permissiva sobre armas de fogo — inclusive sem exigência de licença para posse —, a especialista avaliou que leis como a chamada “stand your ground” (direito de defesa no próprio local) não se aplicariam ao caso, já que não houve alegação de legítima defesa, mas sim de disparo acidental durante uma discussão familiar.