
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou aliados a manter distância do caso Banco Master e evitar declarações públicas sobre a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia, segundo a CNN Brasil, busca impedir que o governo seja diretamente associado às investigações e aos desdobramentos políticos do episódio.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, foi encarregado de alinhar a postura dos demais integrantes do Executivo para que não comentem o assunto.
No Palácio do Planalto, a avaliação predominante é de que o agravamento do caso pode contaminar o governo, sobretudo diante da situação do ministro Dias Toffoli e da repercussão institucional. Embora interlocutores afirmem que Lula considera correta a decisão de afastamento do magistrado da relatoria, houve desconforto com o relatório da Polícia Federal que trouxe mensagens mencionando o ministro.
Apesar do distanciamento entre Lula e Toffoli, acentuado desde episódios anteriores envolvendo decisões judiciais, o presidente demonstrou preocupação pessoal com a situação do magistrado. O Planalto também rejeita a hipótese de um acordo político que envolveria eventual impeachment e substituição no tribunal, proposta defendida por setores isolados, mas sem apoio do núcleo governista.

Antes de deixar a relatoria, Lula avaliava como insustentável a permanência de Toffoli à frente das investigações. Segundo relatos, o presidente considerava que a insistência do ministro prejudicava o governo em ano eleitoral e poderia gerar consequências imprevisíveis.
Durante um encontro na Granja do Torto, o magistrado afirmou que não abriria mão do caso e sugeriu que as apurações poderiam atingir autoridades de vários partidos, não apenas aliados do Centrão, além de mencionar a possibilidade de uma “Lava Jato 2”.
Interlocutores afirmam que Lula reagiu dizendo que todos deveriam responder por eventuais irregularidades, independentemente de posição política, e defendeu que o caso fosse encaminhado à primeira instância. Monitoramentos internos apontaram ainda preocupação com a repercussão nas redes sociais e a percepção de que o episódio poderia desgastar a imagem do governo.
Nos bastidores, Toffoli alegou que a Polícia Federal estaria conduzindo investigações clandestinas e promovendo vazamentos seletivos. Já aliados do diretor-geral da corporação sustentam que não haveria confronto institucional sem respaldo político.