
Igrejas, institutos e associações religiosas que investiram dinheiro arrecadado de fiéis figuram entre os credores do Grupo Fictor, alvo de investigação da Polícia Federal por crimes financeiros e gestão fraudulenta. Pelo menos seis entidades religiosas — católicas, evangélicas e budistas — aparecem na lista após a empresa pedir recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões, conforme informações do colunista Tácio Lorran, do Metrópoles.
Cinco dessas instituições aportaram cerca de R$ 1,8 milhão nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs), modalidade sem garantia financeira e fora da fiscalização direta de órgãos como CVM e Banco Central. A empresa prometia retorno acima de 26% ao ano.
Entre os credores estão a Associação Budista Agon Shu, que investiu R$ 1 milhão, e a Associação Beneficente Freis Carmelitas Mensageiros, com R$ 630 mil aplicados por meio do CNPJ de uma loja ligada à comunidade.
Procurado, o monge Seiken disse: “Não gostaria de me meter nessa situação, não. Não tenho nada a declarar”. Já a entidade católica informou anteriormente que recursos da loja eram usados na construção de um convento: “A nossa casa religiosa está na fase dos acabamentos, e tudo isso só é possível graças às orações, doações e às compras feitas na Loja Mensageiros”.
Também constam na lista a Igreja Cristo Salva – Ministério Deus É Fiel, com R$ 100 mil investidos, e a Igreja Evangélica do Povo de Deus, de Jundiaí, com R$ 50 mil. A ONG Celebrando a Recuperação Br aplicou R$ 95 mil em contratos do grupo, enquanto o Instituto Presbiteriano Piravivo aparece como credor por patrocínio de R$ 33 mil.
A lista inclui ainda uma comunidade católica ligada ao Frei Gilson e uma entidade voltada ao atendimento de crianças e adolescentes.
Lista de credores e suspeitas sobre o grupo
A relação completa reúne cerca de 13 mil pessoas físicas e jurídicas, composta majoritariamente por sócios participantes que investiram por meio das SCPs, modelo comum em contratos privados do setor imobiliário, mas que teria sido vendido no varejo para captação de recursos.
O negócio entrou em crise após a tentativa de aquisição do Banco Master pelo grupo. Algumas empresas negam ter créditos, como a American Express, apontada com R$ 891,3 milhões, o que levou o Tribunal de Justiça de São Paulo a determinar a apresentação de uma nova lista de credores.
Auditorias realizadas no processo de recuperação judicial identificaram indícios de irregularidades na estrutura do grupo, incluindo possíveis empresas de fachada.
Em mais de 15 endereços visitados em diferentes estados, foram encontradas salas vazias, portas fechadas e até um depósito e uma pousada funcionando onde deveria existir uma usina de energia elétrica. Pelo menos sete subsidiárias indicadas pela Fictor sequer foram localizadas.





