
A redistribuição do caso Master ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem gerado incertezas sobre o futuro da investigação.
Até quinta-feira (12), o caso estava sob a responsabilidade de Dias Toffoli, mas, após um conciliábulo entre os ministros, a relatoria foi sorteada para Mendonça. Essa mudança é especialmente significativa devido à relação de Mendonça com pastores e à sua postura declarada como “terrivelmente evangélico”, conforme afirmou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao indicá-lo à Corte.
O caso envolve um esquema de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, que já atingiu figuras de destaque dentro do segmento em que Mendonça atua. O pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, é um dos nomes mais conhecidos.
Valadão é amigo do banqueiro Daniel Vorcaro, e a igreja controlava a fintech Clava Forte Bank, que foi desligada das operações devido às investigações. Valadão, já citado na CPI do INSS, negou qualquer envolvimento comercial com Vorcaro, mas a conexão do pastor com o caso ainda precisa ser esclarecida.
Outro que está no rolo é Fabiano Zettel, pastor e empresário, cunhado de Vorcaro. Zettel foi preso pela Polícia Federal em janeiro deste ano sob acusação de fraude bancária e foi um dos maiores doadores das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022.
O escândalo já causou atritos dentro da própria turma, com disputas públicas entre figuras influentes como a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia, ambos ligados a diferentes vertentes do campo religioso.
O primeiro movimento de Mendonça foi convocar uma reunião com delegados da Polícia Federal para alinhar os próximos passos da investigação. Os resultados dessa reunião, que durou cerca de duas horas, mostraram que ele está se situando no caso e avaliando como as apurações estão sendo conduzidas até agora.
O processo, que envolve a emissão de carteiras de crédito sem lastro e fraudes em fundos do Master, foi iniciado na Justiça Federal do Distrito Federal e de São Paulo. Durante a gestão de Toffoli, havia planos para desmembrar as investigações, mas a mudança de relator trouxe novas incertezas sobre o rumo que a coisa tomará.
O diabo é muito otimista se pensa que pode piorar as pessoas, dizia o grande jornalista e dramaturgo austríaco Karl Kraus.