Poucos atletas são de esquerda por falta de informação, diz Raí

Atualizado em 14 de fevereiro de 2026 às 11:26
O ex-jogador Raí no Carnaval de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. Foto: Diego Alejandro

O ex-jogador Raí disse, minutos antes de desfilar pela Acadêmicos do Tatuapé, na madrugada deste sábado (14), que há poucos atletas identificados com a esquerda por falta de informação e formação política. Único ex-atleta presente no carro alegórico, ele associou a baixa presença de nomes do futebol no campo progressista à ausência de conscientização sobre a realidade social brasileira, conforme informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.paulo.

Raí declarou que o distanciamento de atletas de pautas progressistas ocorre por deficiência de acesso à informação e ao debate público. “É falta de informação, conscientização do contexto geral, histórico, do que é o Brasil hoje, nas cidades e no campo”, disse.

Mestre em Política Pública pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, ele defendeu ampliar a formação crítica não só entre esportistas, mas em toda a sociedade.

O ex-jogador afirmou ainda que mais informação pode estimular mudanças estruturais. “Quanto mais a gente municiar de informações e conscientizar a população do que a gente pode ser — um país rico, justo, mais igualitário —, seremos um país melhor.”

Apoio ao MST e participação no desfile

A escola de samba homenageou o MST com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”. Raí disse apoiar o movimento “há muito tempo” e destacou sua mobilização “organizada e consciente” por justiça social.

“O MST busca um país mais justo nas cidades e no campo e uma reparação histórica dessa concentração de terras na mão de poucos”, afirmou, acrescentando que o grupo “é um exemplo para o mundo todo”.

Ele também avaliou que o Brasil ainda pode avançar na distribuição de terras e na redução das desigualdades, considerando o tema central para o desenvolvimento social.

Raí participou do desfile ao lado de figuras públicas como o jornalista Chico Pinheiro e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, além de lideranças históricas do movimento. Segundo a organização, a proposta foi transformar a apresentação em um espaço de visibilidade política e cultural para a pauta da reforma agrária.