
Extratos bancários registram movimentações de R$ 35 milhões em fundo de investimentos utilizado em transação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a empresa Maridt S.A., ligada ao ministro do STF Dias Toffoli. Os documentos detalham aportes e transferências associados ao negócio do Tayayá Resort, no Paraná. Com informações do Estadão.
Segundo os registros, os aportes foram feitos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. As datas coincidem com mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF), nas quais o empresário menciona cobranças e solicita transferências relacionadas ao empreendimento.
De acordo com os extratos, o fundo Leal, do qual Zettel era cotista, realizou aplicações milionárias no FIP Arleen, veículo usado na aquisição de participação societária no resort. Em 2021, o Arleen passou a integrar o quadro societário das empresas responsáveis pela administração e incorporação do Tayayá.
Os dados indicam que, em outubro e novembro de 2021, Zettel aportou R$ 15 milhões e R$ 5 milhões no fundo Leal, que direcionou valores semelhantes ao Arleen. O Tayayá Resort é avaliado em mais de R$ 200 milhões.
Mensagens analisadas pela PF mostram Vorcaro cobrando o cunhado sobre os repasses. Em uma das conversas, o banqueiro pergunta: “Onde tá a grana?”. Zettel responde que os recursos estavam vinculados ao fundo ligado ao empreendimento.

O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação
Em nota anterior, Dias Toffoli afirmou que não recebeu valores de Vorcaro e declarou não manter relação de amizade com o banqueiro. O ministro informou que a Maridt é uma empresa familiar e que sua participação ocorreu dentro das normas da Lei Orgânica da Magistratura.
Procuradas, as defesas de Vorcaro e Toffoli não se manifestaram. Os advogados de Fabiano Zettel também informaram que não comentariam o caso.
Após a divulgação do relatório da PF, Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master no STF. O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça.