Ombudsman da Folha admite que jornal engana leitores com IA

Atualizado em 15 de fevereiro de 2026 às 12:11
Texto de Natalia Beauty sobre Nicolás Maduro na Folha de S.Paulo. Foto: Reprodução

Alexandra de Moraes,  ombudsman da Folha de S. Paulo, neste domingo (14) aborda uma polêmica envolvendo o uso de inteligência artificial generativa para a criação de textos no jornal. A jornalista admite que o jornal enganou seus leitores ao permitir que colunas de opinião fossem encomendadas à IA, sem uma transparência clara sobre isso. Leia trechos:

“Peço licença para voltar à discussão sobre a publicação, na Folha, de textos de opinião elaborados com inteligência artificial generativa. O tema rendeu dentro e fora do jornal, mas ainda dá pano para manga, com tudo o que tem de novo e confuso.

Uma observação soou especialmente pertinente, sobretudo no contexto do aniversário de 105 anos do jornal. “Muitos têm criticado bastante a Folha por permitir que uma colunista publique textos encomendados por ela a uma IA. A crítica é válida. Mas só soubemos disso porque o veículo mantém um ombudsman, termo de origem sueca que nomeia o cargo de ouvidor, aquele que representa os interesses do leitor. Ele costuma ter uma coluna em que critica o próprio jornal nele mesmo. E isso merece muitos elogios”, escreveu o professor e diretor de tecnologia Thiago Ayub, 41, no X/Twitter.

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Nesse sentido, e voltando à polêmica, o emprego da IA nas colunas de Natalia Beauty soa secundário diante de uma questão maior. O jornal erra ao considerar supérflua a transparência no reconhecimento desse uso, ainda mais se a primeira e única admissão até agora só existiu após provocação do leitorado.

A Folha e a colunista se baseiam na ideia de que a IA generativa é só ferramenta, como um pincel ou um computador. Tratar o questionamento como neoludismo dificilmente vai melhorar a qualidade do uso dessa tecnologia, mas até aí o problema é do jornal. Só que a ideia também abarca uma distorção na relação de confiança, e então o problema passa a ser com o leitor/assinante.

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Enquanto detalha essa política, o NYT volta a destacar a confiança no trabalho das pessoas —mas revela uma forcinha do departamento jurídico. “Nosso trabalho é fundamentado em reportagem e edição humanas. Nós aproveitamos o poder da IA como um mecanismo de pesquisa, resumo e análise”, afirma o porta-voz Graham James. “Mas, para textos de opinião, temos cláusulas nos contratos que em geral proíbem o uso de IA.”

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Questionada sobre o aparente paradoxo entre o processo e o texto de IA vendido como produção própria, a Folha afirma não ver “relação entre o uso indevido e não autorizado do conteúdo por empresas de IA e a utilização de ferramentas de IA para a produção de textos”. “No caso de colunistas, ademais de decisão final humana em qualquer conteúdo para publicação, esperam-se argumentação, escrita e estilo originais e pessoais”, afirma a Secretaria de Redação do jornal.

Seja como for, é razoável que os assinantes queiram saber se estão pagando para ler textos de colunistas/gente ou resultados de prompt. Se para o jornal não há problema no uso de IA, não deveria haver problema em sua admissão num negócio cujo principal ativo é a credibilidade.”