
A Globo perdeu audiência após esconder o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a transmissão do Carnaval neste domingo (15), conforme informações do F5, da Folha.
Em São Paulo, principal mercado publicitário do país, a emissora marcou 11 pontos entre 22h10 e 23h35, período em que a escola passou pela Marquês de Sapucaí, desempenho inferior à média recente da faixa e sob ameaça da Record, que transmitia a rodada final do Campeonato Paulista.
Segundo dados prévios, a Record atingiu 7 pontos no período e chegou a picos de 10 com São Bernardo x Corinthians entre 22h15 e 22h30, enquanto o desfile alcançou pico de 12 pontos. O SBT marcou 6 pontos. Cada ponto equivale a cerca de 199 mil telespectadores na Grande São Paulo.
Nas quatro semanas anteriores, a Globo havia registrado média de 15 pontos no mesmo horário com Fantástico e BBB 26, o que representa queda de 26%. Já no domingo de Carnaval de 2025, a emissora marcou 14 pontos ao exibir o Oscar, com a vitória do filme “Ainda Estou Aqui”.
Cobertura “mais sóbria”
A emissora adotou uma transmissão mais contida para evitar acusações de propaganda eleitoral. Antes do desfile, Pedro Bassan mencionou as tentativas de impedir a apresentação. A orientação interna foi focar alegorias e aspectos técnicos, evitando entrevistas com populares ou comentários políticos. A equipe de redes sociais também recebeu instruções para tratar o desfile de forma neutra.
Durante a exibição, comentaristas como Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha concentraram as falas em fantasias, acabamento e evolução da escola, sem aprofundar o conteúdo político do enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que trazia referências diretas à trajetória do presidente e a episódios recentes da política nacional.
Acadêmicos de Niterói deu um show de irreverência, mostrou o Bolsonaro fantasiado de palhaço várias vezes, mas a narração da Globo censurou a explicação de tudo. Cobertura vergonhosa, mas aqui vamos mostrar tudo! pic.twitter.com/e06vPyb0jw
— Mallu (@mariarita4141) February 16, 2026
Diferença de tratamento
A comissão de frente encenou personagens representando os quatro últimos presidentes do país, incluindo uma sequência em que Lula passava a faixa para Dilma Rousseff, que a perdia para Michel Temer em referência ao impeachment de 2016.
Em seguida, a faixa era associada a Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo. Mesmo com a encenação explícita, a transmissão limitou-se a mencionar que se tratava de uma representação do passado recente do Brasil, sem identificar nominalmente as figuras parodiadas nem comentar o teor político da crítica.
Meu Deus! A Acadêmicos de Niterói mostrou Michel Temer passando a faixa para o Bozo. Na sequência, ele faz arminhas e depois ri diante de cruzes no chão, simbolizando a pandemia da Covid. #Globeleza pic.twitter.com/RcJPOO3Cid
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) February 16, 2026
Nos bastidores, a emissora já havia orientado seus profissionais a manter postura neutra para evitar interpretações que pudessem ser entendidas como posicionamento político. A escolha editorial também incluiu a decisão de não exibir integralmente o início do desfile da escola de Niterói.
O tratamento desigual ficou evidente na sequência da programação. Logo após a Acadêmicos de Niterói, a Imperatriz Leopoldinense recebeu cobertura ampla desde o esquenta, com apresentação detalhada do enredo em homenagem a Ney Matogrosso, entrevistas, contextualização histórica e exibição integral da entrada na avenida. Para parte do público, a diferença reforçou a percepção de omissão no caso da homenagem a Lula.