A ameaça de Flávio após Bolsonaro aparecer como palhaço em desfile sobre Lula

Atualizado em 16 de fevereiro de 2026 às 10:30
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a alegoria da Acadêmicos de Niterói que representa Jair Bolsonaro como um palhaço atrás das grades e com tornozeleira eletrônica. Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile sobre o presidente Lula (PT) realizado na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, após a apresentação da Acadêmicos de Niterói na noite de domingo (15/2).

Pré-candidato à Presidência, ele criticou o conteúdo da homenagem ao petista e disse que houve ataques pessoais ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à instituição familiar.

O ex-presidente apareceu na comissão de frente vestido como palhaço, com faixa presidencial e, ao final, como o personagem Bozo, preso e usando tornozeleira eletrônica danificada. Também foram citadas referências ao ex-presidente Michel Temer (MDB), outro adversário político de Lula.

“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família! Vamos vencer o mal com o bem!”, escreveu o parlamentar no X.

Michelle Bolsonaro também reagiu à imagem de Jair Bolsonaro como palhaço. Em publicação no Instagram na noite deste domingo (15), a ex-primeira-dama respondeu, de forma furiosa, à encenação: “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”.

Alegorias e críticas ao neoconservadorismo

Outro ponto que gerou reação foi a ala chamada “neoconservadores em conserva”, cuja fantasia trazia uma lata com a imagem de uma família formada por um homem, uma mulher e dois filhos. Segundo a escola, a alegoria simbolizava grupos que se opõem a Lula.

A apresentação incluiu variações que representavam setores associados ao neoconservadorismo, como agronegócio, elite econômica, defensores da ditadura militar e grupos religiosos evangélicos, conforme descrição no livro abre-alas da agremiação.

A “dor de cotovelo” começou antes do desfile, com ações judiciais e mobilização da oposição para impedir a homenagem, sem sucesso.

Apesar das críticas, prevaleceu a avaliação de que a presença e o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” representavam um risco político calculado.

Durante a transmissão da Globo, comentaristas como Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha focaram nos aspectos técnicos do desfile, como fantasias, alegorias e evolução da escola, sem detalhar o teor político do enredo.

Mesmo com a encenação explícita, a exibição limitou-se a citar que se tratava de uma representação do passado recente do Brasil, sem identificar nominalmente as figuras parodiadas. A Globo chegou a perder audiência após esconder o desfile da Acadêmicos de Niterói.