Milton Cunha fala no Instagram o que a Globo censurou sobre o desfile homenageando Lula

Atualizado em 16 de fevereiro de 2026 às 11:36
Milton Cunha. Foto: Globo/Francisco Cepeda

O carnavalesco Milton Cunha publicou um vídeo nas redes explicando o enredo em homenagem a Lula censurado pela TV Globo neste domingo (15). A escola de samba Acadêmicos de Niterói, primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí, promoveu o samba enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

“A jornada do herói, uma estrutura de narração muito utilizada desde sempre pela humanidade para dar grandes mensagens e é uma forma de comunicar educação valor e aí é essa jornada da Acadêmicos de Niterói sobre o menino Luiz Inácio”, explicou. Segundo ele, o enredo começa com “um país assombrado”, em referência aos “anos de chumbo, da ditadura militar”, ambientado no sertão e na infância do personagem.

Milton descreve a travessia da família para São Paulo ao som de “Luar do sertão”, evocando retirantes e gravuras populares. Ele afirma que o herói enfrenta “o desafio, o problema, a crise e a virada”, descobre o sindicato, ajuda a fundar um partido e segue acumulando derrotas e vitórias até se tornar “presidente da nação verde amarela”, numa subida comparada à rampa do Planalto.

O carnavalesco também citou políticas públicas ao falar de “programas sociais, projetos, ‘Minha casa, minha vida’, contra fome, ajudando estudantes a terminar seus cursos”. Para ele, o desfile transforma o personagem em símbolo coletivo: “Um operário da cultura do bem, do valor humano, do humanismo”, ampliando a ideia de trabalhador para além da fábrica.

“É um desfile, um enredo sobre esperança, sobre esperança de como mulheres, comuns, homens, comuns, podem empreender uma jornada que os levarão a feitos fabulosos”. E completa que há “o triunfo do nosso herói”, mas que a escolha foi começar pelo menino e pela mãe para aproximar a história do público.

A transmissão da Globo, detentora dos direitos exclusivos, adotou cobertura classificada pela própria emissora como “mais comedida”. Momentos como o esquenta não foram exibidos, e o intérprete Emerson Dias, fantasiado de Lula, apareceu rapidamente.

Em nota, a empresa afirmou que “acompanha, durante todo o ano, os preparativos para a festa” e destacou a operação com “cerca de 1.200 profissionais em mais de 42 horas de transmissão ao vivo”. O desfile havia sido liberado pela Justiça Eleitoral e não havia impedimento jurídico. Ainda assim, a Globo decidiu ser omissa na transmissão da homenagem.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.