
Ao comentar o crime do bolsonarista Thales Machado, secretário de Itumbiara (GO) que matou os dois filhos e suicidou-se após ser supostamente traído, o radialista Donizete Garcia, da Rádio Sir FM, de São Joaquim (SP), riu da situação sugerindo que haveria “motivos” para o crime e que a violência pudesse ser direcionada “apenas” contra a esposa do autor, e não contra as crianças.
O programa começou com a exibição de uma reportagem sobre o caso. Em seguida, no estúdio, o diretor municipal Fernando Ceribelli manifestou pesar pelas mortes e questionou qualquer tentativa de justificativa. “Coitados dos filhos. Eles têm algo a ver com a traição? Ele vai lá e tira a vida das crianças. É algo triste e inexplicável”. Donizete, no entanto, passou a questionar a apuração das motivações e mencionou supostos vídeos envolvendo a esposa do autor.
Em tom de piada, o radialista que também é bolsonarista declarou: “No máximo, tira a vida da mulher, não é?”, comentário seguido de risada durante a transmissão. Ceribelli reagiu imediatamente, discordando da fala: “Não. Vai viver sua vida. Se não deu certo com uma mulher, vai para outra”. O contraste entre as posições ampliou a repercussão negativa do episódio nas redes sociais e entre ouvintes.
O diálogo prosseguiu com novas declarações de Donizete, que afirmou: “Para se vingar da mulher, depois tirou a vida também, né, Fernando? Que situação. Fernando Ceriberi, bom dia”. O diretor municipal voltou a lamentar o ocorrido e reforçou a ausência de justificativas plausíveis para a violência.
É revoltante.
Em plena rede nacional, um comunicador sugere que, diante de uma suposta traição, o assassino deveria ter “tirado a vida da mulher” em vez dos filhos. Não é opinião polêmica. Não é exagero interpretativo. É a naturalização brutal da violência contra a mulher.
— Beta Bastos (@roberta_bastoss) February 16, 2026
“Bom dia. Bom dia, Dona Lizete. Bom dia a todos os ouvintes. Rapaz, tem umas coisas que a gente acha que o mundo tá complicado, né? O coitado dos filhos não tem alguma coisa a ver com a traição, né? E ele vai lá e tira a vida dos filhos. É uma coisa, assim, triste, né? Mas inexplicável, né? Porque eu, particularmente, não tenho explicação. Agora, motivos, né? Brincadeira, né? O motivo é uma coisa, assim, que a gente escuta umas coisas”.
Na sequência, Donizete voltou a mencionar supostas motivações pessoais do autor do crime e fez nova declaração que intensificou as críticas. “Os motivos, inclusive, existem vídeos que estão circulando na internet da mulher dele que tava andando com outro cara em lanchonete, assim, de forma explícita, né? […] Ele era, inclusive, assessor da prefeitura, tinha um cargo bom. Pessoa até, vamos falar, fisicamente bonita, um rapaz jovem, 40 anos, e faz uma besteira dessa, tira a sua própria vida, né? No máximo, tira a vida da mulher, não é?”, disse rindo.
Em seguida, o radialista acrescentou: “Tira a vida da mulher, larga, larga, vai viver a sua vida, não deu certo com uma mulher, vai pra outra.” Ceribelli voltou a enfatizar a gravidade da situação e o impacto sobre as vítimas. O episódio gerou ampla repercussão e reacendeu debates sobre responsabilidade na comunicação e limites éticos em comentários públicos sobre crimes violentos.