
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro e questionou se a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o bolsonarista ironizou a ausência de alas que lembrassem escândalos políticos e afirmou que “todos sentiram” falta de referências como a da Lava Jato.
“Se não foi propaganda antecipada, o que será?”, questionou Tarcísio. Na gravação, ele citou episódios controversos envolvendo o petista que, segundo ele, não apareceram na avenida.
“A ala dos ‘Correios faliram e o Lula não viu’, ou quem sabe a ala ‘de pai para filho’ [em referência ao suposto envolvimento de Lulinha no caso do INSS], a ala ‘de volta à cena do crime’ [frase dita por Geraldo Alckmin, quando era opositor a Lula] ou a ‘dos roubados do INSS'”, ironizou o governador. “O que não falta é escândalo”, afirmou.
O chefe do Executivo paulista também declarou que o país estaria “capturado” pelo PT e comparou decisões judiciais recentes envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a uma suposta falta de rigor em relação ao desfile. “E não havendo [o mesmo rigor com o desfile], quanto elásticas serão as interpretações deste momento”, disse.
Para Tarcísio, o episódio representaria “propaganda política descarada e desrespeito aos evangélicos”, além de reforçar críticas ao aumento de gastos públicos sob o atual governo federal.
Aos amigos, tudo.
Aos inimigos, a lei.Acorda, Brasil. pic.twitter.com/1YPnAwMMoo
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) February 16, 2026
Bolsonaristas afirmaram que devem ingressar com novas ações na Justiça Eleitoral contra Lula. O PL, partido de Bolsonaro, declarou que o desfile “materializou uma série de ilícitos eleitorais que merecem responsabilização pela Justiça Eleitoral” e indicou que pode pedir inelegibilidade do presidente caso ele formalize candidatura à reeleição.
“É o país dos amigos, do patrimonialismo, da captura do orçamento público, da desigualdade não resolvida, um país que não discute a qualidade da sua liderança, envelhecida, com processo de sua substituição muito lento”, disse Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.
O Palácio do Planalto negou qualquer interferência na escolha do enredo e afirmou que não havia decisão judicial impedindo o desfile. Em nota, a Secretaria de Comunicação ressaltou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia negado pedidos liminares contra a apresentação e que os repasses de recursos públicos às escolas de samba são feitos à Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, e não diretamente às agremiações.
Nas redes sociais, Lula não respondeu às críticas e preferiu exaltar a festa. “Uma noite inesquecível na Sapucaí. Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira: Quatro escolas e uma só emoção. Quanta criatividade e talento juntos na avenida. Foi lindo. Obrigado, Rio”, escreveu.
O PT também contestou as acusações e afirmou que não houve irregularidade eleitoral. “Não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio”, diz a nota.