
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann detonou a Folha de S.Paulo por um texto em que reclamou da redução da jornada de trabalho semanal para 36 horas. Segundo o jornal, a medida geraria uma queda de 6,2% do PIB (Produto Interno Bruto).
“Acorda, Folha! Nós estamos propondo acabar com a escala 6 x 1 com redução de jornada para 40 horas semanais. Nem a folia de carnaval justifica fazer manchete aterrorizante sobre jornada de 36 horas”, afirmou a ministra no X.
Para Gleisi, o foco do debate não é a redução imediata para 36 horas, mas o fim da escala considerada excessiva por centrais sindicais. “O mesmo estudo do IPEA que a reportagem menciona deixa claro que a economia suporta perfeitamente a mudança para 40 horas, como suportou a redução de 48 para 44 horas na Constituinte há quase 40 anos”, prosseguiu.
Ela ainda comparou o momento atual com mudanças históricas na legislação trabalhista e disse que outras previsões negativas foram feitas em reformas anteriores. “Esse tipo de manchete faz lembrar que diziam coisa parecida sobre a criação do décimo-terceiro salário, do salário-mínimo, da jornada de 8 horas e até do fim do trabalho escravo”, completou.
Acorda, @folha! Nós estamos propondo acabar com a escala 6 x 1 com redução de jornada para 40 horas semanais. Nem a folia de carnaval justifica fazer manchete aterrorizante sobre jornada de 36 horas. O mesmo estudo do IPEA que a reportagem menciona deixa claro que a economia…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) February 17, 2026
A reportagem citada por Gleisi usa estudos do FGV-Ibre e do Ipea que sugerem que a redução para 36 horas poderia elevar em até 22% o custo da hora trabalhada para quem hoje cumpre 44 horas semanais. No agregado dos vínculos formais, a alta média estimada seria de 17,6%, com impactos maiores em setores intensivos em mão de obra.
Transporte, indústria extrativa e comércio aparecem entre os segmentos com maior risco de perda de valor adicionado, segundo a Folha.
A Folha também cita centrais sindicais, que defendem que a redução pode ser compensada por ganhos de produtividade, inovação e aumento do consumo. O debate ocorre no Congresso Nacional, onde há propostas tanto de emenda constitucional quanto de projeto de lei para tratar do tema.