Gleisi detona Folha por matéria a favor da escala 6×1: “Aterrorizante”

Atualizado em 17 de fevereiro de 2026 às 11:52
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann detonou a Folha de S.Paulo por um texto em que reclamou da redução da jornada de trabalho semanal para 36 horas. Segundo o jornal, a medida geraria uma queda de 6,2% do PIB (Produto Interno Bruto).

“Acorda, Folha! Nós estamos propondo acabar com a escala 6 x 1 com redução de jornada para 40 horas semanais. Nem a folia de carnaval justifica fazer manchete aterrorizante sobre jornada de 36 horas”, afirmou a ministra no X.

Para Gleisi, o foco do debate não é a redução imediata para 36 horas, mas o fim da escala considerada excessiva por centrais sindicais. “O mesmo estudo do IPEA que a reportagem menciona deixa claro que a economia suporta perfeitamente a mudança para 40 horas, como suportou a redução de 48 para 44 horas na Constituinte há quase 40 anos”, prosseguiu.

Ela ainda comparou o momento atual com mudanças históricas na legislação trabalhista e disse que outras previsões negativas foram feitas em reformas anteriores. “Esse tipo de manchete faz lembrar que diziam coisa parecida sobre a criação do décimo-terceiro salário, do salário-mínimo, da jornada de 8 horas e até do fim do trabalho escravo”, completou.

A reportagem citada por Gleisi usa estudos do FGV-Ibre e do Ipea que sugerem que a redução para 36 horas poderia elevar em até 22% o custo da hora trabalhada para quem hoje cumpre 44 horas semanais. No agregado dos vínculos formais, a alta média estimada seria de 17,6%, com impactos maiores em setores intensivos em mão de obra.

Transporte, indústria extrativa e comércio aparecem entre os segmentos com maior risco de perda de valor adicionado, segundo a Folha.

A Folha também cita centrais sindicais, que defendem que a redução pode ser compensada por ganhos de produtividade, inovação e aumento do consumo. O debate ocorre no Congresso Nacional, onde há propostas tanto de emenda constitucional quanto de projeto de lei para tratar do tema.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.