Entenda a saída de Sidônio Palmeira do governo Lula

Atualizado em 17 de fevereiro de 2026 às 12:41
Sidônio Palmeira e Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, decidiu deixar o cargo em julho para atuar exclusivamente como marqueteiro da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação interna foi de que sua permanência no governo durante o período eleitoral poderia gerar questionamentos na Justiça Eleitoral, caso acumulasse a função ministerial com a estratégia de comunicação da campanha.

Segundo Guilherme Amado no PlatöBR, o risco jurídico pesou na decisão após discussões dentro do Palácio do Planalto. Inicialmente, Sidônio cogitava permanecer à frente da Secom mesmo durante o período eleitoral, mas a possibilidade de contestação levou a uma mudança de posição.

Assessores próximos defendiam sua permanência, porém outros integrantes do governo recomendaram a saída para evitar conflitos legais, entre eles o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias.

Com a saída, Sidônio poderá se dedicar integralmente à estratégia de comunicação da reeleição de Lula, sem as limitações impostas por um cargo no Executivo.

Sidônio, ministro-chefe da Secom. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A tendência é que a equipe que hoje atua sob seu comando na Secom permaneça na estrutura do governo, garantindo continuidade na política de comunicação institucional. Mesmo fora do ministério, Sidônio deve manter interlocução frequente com o Planalto.

Antes de anunciar a decisão, o ministro orientou integrantes do governo a adotarem cautela em relação à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o Banco Master. Segundo apuração, Sidônio recomendou que ministros evitassem comentários públicos sobre o tema para não envolver o Executivo em uma disputa que, na avaliação do governo, passou a ocorrer entre a Polícia Federal e o STF.

O chefe da Secom também reforçou a necessidade de evitar críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio às investigações que atingem figuras ligadas ao sistema previdenciário do Amapá. Alcolumbre indicou Jocildo Lemos, ex-presidente da Amapá Previdência, órgão que investiu R$ 400 milhões em títulos do Banco Master e cujo dirigente foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal.

A tensão institucional aumentou após a divulgação de detalhes de uma reunião reservada entre ministros do STF. Alguns integrantes da Corte suspeitam que tenham sido gravados durante o encontro, no qual foi decidido o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o banco. O processo acabou redistribuído ao ministro André Mendonça.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.