A pista que mostra a intenção do auditor em vazar os dados dos ministros do STF

Atualizado em 17 de fevereiro de 2026 às 21:38
O ministro Gilmar Mendes, que teve vazado os dados da enteada. Foto: Reprodução

Um servidor do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) é apontado como principal suspeito de acessar e possivelmente vazar dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. Segundo investigação interna da Receita Federal, Luiz Antônio Martins Nunes foi o único entre quatro servidores investigados a acessar um volume maior de informações e a realizar impressões de documentos, o que levantou suspeitas sobre a intenção de repassar o conteúdo a terceiros. As informações são do UOL.

De acordo com a apuração, a impressão dos arquivos é considerada um indício relevante. Para a Receita, o ato de imprimir documentos sigilosos reforça a hipótese de que as informações poderiam ter sido retiradas do ambiente digital para circulação externa. Não há, até o momento, confirmação pública sobre quem teria recebido os dados nem sobre eventual uso do material.

Os quatro servidores entraram no radar da investigação após uma varredura identificar acessos considerados indevidos aos sistemas fiscais. Segundo a Receita Federal, não havia justificativa técnica para que eles consultassem dados relacionados a ministros do STF e seus parentes. Entre os envolvidos, apenas Nunes teria feito consultas em maior escala.

Prédio da Receita Federal. Foto: reprodução

A Receita informou que realizou uma checagem ampla em seus sistemas para mapear qualquer acesso irregular envolvendo integrantes do Supremo. O trabalho de auditoria ainda não foi concluído, e novas informações podem surgir à medida que a análise técnica avança.

O caso ocorre em meio a um cenário de tensão institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal e grupos políticos que têm feito críticas à atuação da Corte. O eventual vazamento de dados fiscais sigilosos pode configurar crime, dependendo da comprovação de intenção e de compartilhamento das informações.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre eventuais medidas administrativas ou criminais contra os servidores investigados. O caso segue sob apuração, com foco na responsabilização de quem tenha acessado ou eventualmente compartilhado dados protegidos por sigilo fiscal.