
Tudo se repete sobre as informações da pirâmide do Master, os fundos de previdência estaduais que aplicavam no banco e as relações do pessoal de Daniel Vorcaro (foto) com gerentes subalternos dos esquemas estaduais. São quase todos do segundo time das facções.
Ninguém, além dos diretamente envolvidos no caso, sabe dizer quem são eles. Ninguém decorou o nome do ex-tesoureiro de Davi Alcolumbre no Amapá. Por isso só falam de Dias Toffoli. E por isso o ímpeto cívico de Renan Calheiros é importante.
Renan e pelo menos metade do Brasil querem saber quem são os amigos do primeiro time de Vorcaro no centrão e no meio empresarial. Como se relacionavam, como faziam o esquema girar e como lavavam dinheiro.
A pirâmide e o lavajatismo dos jornalões contra o Supremo rendem manchetes repetitivas e diversionistas. A pirâmide era o esquema que dava a cara de normalidade de banco ao Master. Queremos chegar aos subterrâneos, ao que não é visível ainda porque o Banco Central de Roberto Campos Neto ajudou a esconder.
Rennan Calheiros sabe que Arthur Lira, Hugo Motta, Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e outros das parcerias da direita não têm nenhum interesse em ver a crise se deslocar do Supremo para o Congresso.

Renan fala como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e aponta o dedo para Alcolumbre e Motta, que teriam tentado constranger o ministro do TCU Jhonatan de Jesus, para que ele tentasse ajudar a reverter a liquidação do banco.
Renan fala em fortalecimento da Polícia Federal e avisa que ninguém pode ser blindado. Fortalecer a PF significa, na arrancada, avalizar o relatório de mais de 200 páginas encaminhado diretamente ao Supremo? O trabalho que provocou reações dos ministros.
No STF, o documento, que vazou para a imprensa com informações ruins para Toffoli, foi considerado um lixo. Por que não vazam, além das informações que comprometem Toffoli, os nomes de outros citados no relatório? Talvez porque detêm mandatos. E os empresários? E a lavagem de dinheiro? Vão aparecer quando?
Falar de pirâmide, da relação da família de Toffoli com o banqueiro e do comprometimento de agentes nos Estados é repetir o que já se sabe sobre a sangria em fundos de previdência que sustentavam o esquema. Queremos mais.
Se os vazamentos forem contidos pelo novo relator no STF, desafiado de saída a controlar a PF, ficaremos com o que já se sabe e teremos acréscimos de detalhes sobre os sempre citados. Toffoli é caso encerrado, mesmo que se agrave com novas informações.
Quem entrar no bloco de Renan terá que cantar alto e fazer barulho, porque o senador quer acesso a todas as investigações. É o que ele mais repete: que os senadores possam verificar o andamento das sindicâncias em todas as esferas, incluindo as estaduais.
Renan se baseia na lei complementar 105, que regula o sigilo das operações de instituições financeiras no Brasil. A lei abre exceções nos sigilos para compartilhamento de informações quando de investigações que tratam, por exemplo, de lavagem de dinheiro.
Renan manda dizer que a CPI faça o seu trabalho, porque ele fará o seu para chegar aos que até agora passam pelo caso Master assoviando. Renan quer, claro, cercar seus inimigos alagoanos, os grandes do centrão e agregados da extrema direita.
Pode nos ajudar. Precisamos saber por que Flávio Bolsonaro e parceiros de campanha não se dedicam à pauta do Master com afinco, se Lula já disse o que deveria: que cheguem à lavanderia e que, se for preciso, que investiguem Lulinha. Que peguem os magnatas, disse Lula.
Renan já chamou o ministro assediado do TCU de ‘coitado e de ‘chantageado’ e o expôs como figura frágil diante das pressões dos poderosos Alcolumbre e Motta.
O carnaval do trio eletrificado de Renan começa agora e não quer saber de Quaresma. É um grupo de trabalho já formado com sete senadores, que aparecem em fotos postados atrás do líder.
Quem mais vai aderir à CPI paralela? Renan anuncia audiências públicas, para que os magnatas do centrão sejam expostos e não escapem de novo. Vai conseguir, quando se sabe agora que as estruturas do bolsonarismo atuavam dentro da Receita Federal?
Quem eram os municiados pelas informações fiscais que vazavam para os bolsonaristas? Bom trabalho para Renan Calheiros e seus intocáveis.