ONU aponta possível crime contra a humanidade em arquivos ligados a Epstein

Atualizado em 17 de fevereiro de 2026 às 22:53
O financista Jeffrey Epstein. Foto: reprodução

Milhões de arquivos ligados ao financista e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein indicam a existência de uma “empresa criminosa global” responsável por atos que podem atingir o patamar jurídico de crimes contra a humanidade. A avaliação é de um painel de especialistas independentes nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo os especialistas, os crimes descritos nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos ocorreram em um ambiente marcado por supremacismo, racismo, corrupção e misoginia extrema.

Eles afirmam que os registros revelam um padrão de mercantilização e desumanização de mulheres e meninas. Em nota, o grupo declarou: “Tão grave é a escala, a natureza, o caráter sistemático e o alcance transnacional dessas atrocidades contra mulheres e meninas que parte delas pode, de maneira razoável, atingir o limiar jurídico de crimes contra a humanidade”.

Os especialistas defendem a abertura de uma investigação independente, abrangente e imparcial sobre as acusações contidas nos arquivos. Também pedem apuração sobre como esses crimes puderam ocorrer por tanto tempo sem interrupção.

Até o momento, o Departamento de Justiça norte-americano não se pronunciou sobre o posicionamento dos peritos.

Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foto: Xinhua/Xu Jinquan

Uma lei aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em novembro, com apoio expressivo de democratas e republicanos, determina a divulgação pública de todos os documentos relacionados a Epstein.

O painel da ONU também demonstrou preocupação com “falhas graves de conformidade e edições mal executadas” nos documentos já divulgados, que teriam exposto informações sensíveis de vítimas. Mais de 1.200 vítimas foram identificadas nos arquivos tornados públicos até agora.

“A relutância em divulgar integralmente as informações ou ampliar as investigações deixou muitos sobreviventes revivendo traumas e submetidos ao que descrevem como ‘gaslighting institucional’”, afirmaram os especialistas.

A liberação dos documentos pelo Departamento de Justiça evidenciou as conexões de Epstein com figuras influentes da política, das finanças, da academia e do mundo empresarial, tanto antes quanto depois de ele se declarar culpado, em 2008, por acusações relacionadas à prostituição, incluindo aliciamento de menor de idade.

Epstein foi encontrado morto em 2019, enforcado na cela onde estava detido após nova prisão por acusações federais de tráfico sexual de menores. A morte foi oficialmente classificada como suicídio.