Quando os dedos assumem o controle da mente. Por Moisés Mendes

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 6:12
O general Mário Fernandes, condenado no julgamento da trama golpista do 8 de Janeiro. Foto: Reprodução

O general Mario Fernandes estava pensando em matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, em 2022, quando seus dedos começaram a digitar o plano num computador, e aí aconteceu o que se sabe: o pensamento foi digitalizado. Os dedos dominaram o pensamento.

O auditor fiscal da Receita Ricardo Mansano de Moraes disse ter acessado dados de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes, por engano. Um dedo saiu do controle e apertou a tecla dos arquivos de Maria Carolina, e o engano foi digitalizado e deixou rastros.

Ricardo de Moraes é um dos investigados pela própria Receita pelo acesso ilegal a dados fiscais e possível vazamento dessas informações de ministros do STF e seus familiares.

Auditor da Receita Federal. Foto: Divulgação

Enganos e descuidos acontecem. Foi por descuido que, ao se distrair um dia, o general Augusto Heleno foi parar dentro do plano do golpe, quando todos sabiam que ele não tinha condições de atuar nem do lado de fora do golpe.

O auditor está sendo defendido por colegas, porque ainda não existem provas contra ele e o sujeito já anda de tornozeleira. É possível que as provas nunca apareçam, porque um engano não é uma prova, e todos os dias alguém se engana com algum parente de ministros do Supremo. Dedos são imprevisíveis e incontroláveis.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/