Banco Pleno, que fez parte do Master, é liquidado pelo BC; entenda

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 8:29
Recepção do Banco Pleno. Foto: reprodução

O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, antigo Voiter, instituição que já pertenceu ao conglomerado do Master e vinha enfrentando grave deterioração financeira. A medida ocorre em meio às investigações sobre supostas fraudes envolvendo empresas ligadas ao grupo e amplia a crise no sistema financeiro associada à Operação Compliance Zero.

O atual dono do Pleno, Augusto Lima, assumiu o controle após deixar a sociedade com Daniel Vorcaro em julho de 2025. Ambos chegaram a ser presos na operação, sendo posteriormente liberados com uso de tornozeleira eletrônica. O banco buscava investidores para manter as operações, mas enfrentava dificuldades de liquidez e estava proibido pelo BC de emitir novos CDBs para captação de recursos. Sem essa fonte de financiamento, a instituição passou a ter dificuldades para honrar compromissos.

Dados do Banco Central indicam que, em junho de 2025, o banco possuía patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido de R$ 169,3 milhões, mas apresentava passivo de R$ 6,68 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões em CDBs. Em nota, o BC destacou que o conglomerado representava apenas 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, mas apontou deterioração financeira grave.

“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade”, informou o órgão regulador.

Augusto Lima, dono do Banco Pleno. Foto: reprodução

O Banco Central também afirmou que continuará investigando responsabilidades administrativas e possíveis irregularidades. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, ressaltou. Como parte da decisão, os bens de Augusto Lima e de outros administradores ficaram indisponíveis.

A liquidação do Pleno ocorre após uma sequência de intervenções em instituições ligadas ao mesmo grupo. Em novembro, foram liquidados o Master, a Master de Investimento, a Master Corretora e o Letsbank. Em janeiro, o BC também encerrou as atividades da administradora de fundos Reag e do Will Bank.

O histórico do Pleno inclui diversas reestruturações desde a época em que operava como Indusval, com foco no financiamento de empresas e do agronegócio, passando a se chamar Voiter em 2019 dentro de um plano de transformação digital.

A trajetória de Augusto Lima ajuda a explicar o contexto da crise. Empresário oriundo da Bahia, ele ganhou destaque no mercado financeiro após criar o Credcesta e expandir operações de crédito consignado pelo país.

Preso na Operação Compliance Zero, Lima é investigado por supostas fraudes em carteiras de crédito negociadas com o BRB e por vínculos com fundos sob investigação. Documentos citados nas apurações apontam estruturas societárias complexas e relações com empresas e fundos também alvos de operações anteriores.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.