
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou representação recomendando a abertura de processo para identificar autoridades públicas federais que teriam participado de festas com até “20 putas” promovidas pelo então banqueiro Daniel Vorcaro em uma casa de veraneio em Trancoso, na Bahia.
O documento, datado de 29 de janeiro, cita relatos de que os eventos, conhecidos como Cine Trancoso e promovidos com dezenas de garotas de programa, reuniram integrantes dos Três Poderes, além de nomes do mercado financeiro, da política e do meio jurídico, ampliando as suspeitas em torno das relações do empresário investigado no caso Banco Master.
A publicação afirma que “Altas autoridades dos Três Poderes da República foram a essas festas. Do Poder Executivo, no atual governo, ninguém protagoniza as fitas. Integrantes do ministério de Jair Bolsonaro, no governo passado, sim. À farta. Eram farrinhas privê reunindo homens e mulheres do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”.
A apuração também menciona relatos sobre medidas de segurança adotadas durante os eventos, como a exigência de deixar celulares desligados sob controle da equipe de segurança e o uso de detectores de metal na entrada. Ainda assim, segundo as reportagens citadas, o anfitrião mantinha um sistema interno de câmeras, o que alimentou especulações sobre a existência de registros audiovisuais das reuniões.
Parte das informações consta em processos judiciais relacionados à compra do imóvel, que inicialmente foi alugado por Vorcaro entre 2021 e 2022 e depois adquirido em negociação que gerou disputa judicial com a antiga proprietária. Em mensagens de WhatsApp anexadas ao processo, a empresária Sandra Habib descreveu episódios ocorridos na residência.
“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu ela ao corretor responsável pela locação. “Ele levou 20 putas para a casa que ele aluga com a esposa e filhos”, afirmou em outro momento.

Segundo a Folha, relatos indicam ainda que eventos semelhantes teriam ocorrido em outros locais no Brasil e no exterior, reunindo políticos, executivos e representantes de instituições públicas. As festas passaram a circular nos bastidores do poder, especialmente após o avanço das investigações sobre o Banco Master e as suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o grupo.
A defesa de Daniel Vorcaro afirma que as acusações se baseiam em informações distorcidas. Em nota, declarou que “repudia as informações e alegações apresentadas, que se baseiam em fonte não fidedigna e em relatos distorcidos, utilizados para construir narrativa difamatória e sensacionalista contra o empresário”.
O texto acrescenta que “a divulgação de conteúdos carregados de juízo moral, dissociados de qualquer relevância jurídica, contribui apenas para a criação de ilações e para a indevida invasão da esfera privada”.
O Ministério Público junto ao TCU pretende identificar eventuais responsabilidades administrativas e possíveis impactos para a administração pública, caso a participação de autoridades seja confirmada.