
A Polícia Federal investiga quatro servidores suspeitos de acessar de forma ilícita dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares por meio de sistemas da Receita Federal. Entre os investigados está o auditor-fiscal Ricardo Mansano de Moraes, apontado como o integrante do grupo com maior remuneração.
Lotado na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto (SP), ele teria utilizado credenciais funcionais para consultar informações protegidas sem justificativa legal, segundo apuração em curso no âmbito do inquérito das fake news.
De acordo com informações obtidas pela investigação, Mansano recebeu R$ 51 mil em dezembro de 2025, valor elevado por indenizações e gratificações. O salário base atual do servidor é de R$ 38.261,86. Ele ingressou no serviço público em 27 de novembro de 1995 e acumulou passagens por órgãos como o Ministério da Fazenda e o Ministério da Economia, com registros de nomeações e convocações publicados no Diário Oficial da União desde a década de 1990.
O Supremo Tribunal Federal informou, em nota, que foram detectados acessos irregulares a dados de ministros e parentes com origem nas credenciais do servidor. A Corte afirma que foi identificado um “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”. A operação da PF foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e incluiu mandados de busca e apreensão cumpridos durante o carnaval.
As apurações apontam que o sigilo fiscal da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, teria sido quebrado sem autorização, além de acessos indevidos a informações tributárias de familiares de outros ministros.

Um filho de integrante da Corte também teve dados da declaração de Imposto de Renda consultados de maneira irregular, ampliando a gravidade do caso e levantando suspeitas sobre eventual uso político ou comercial das informações.
Além de Mansano, outros três servidores são investigados: Luiz Antônio Martins Nunes, técnico do Serpro desde 1981, com salário de R$ 12.778,82; Luciano Pery Santos Nascimento, técnico do Seguro Social lotado na Delegacia da Receita em Salvador, que recebe R$ 11.517,49; e Ruth Machado dos Santos, técnica do Seguro Social na Delegacia da Receita em Santos (SP), com salário de R$ 11.128,16 e ingresso no serviço público em abril de 1994.
A Polícia Federal busca esclarecer se houve atuação conjunta entre os servidores e quais foram as motivações para os acessos indevidos.
Também é investigado se as informações foram repassadas a terceiros ou utilizadas para produzir dossiês contra autoridades. O caso ocorre em meio à escalada de tensões institucionais envolvendo o Supremo, a Receita e investigações paralelas relacionadas ao Banco Master.