
O custo do colapso financeiro envolvendo o conglomerado Master pode alcançar cerca de R$ 58 bilhões para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno nesta quarta-feira (18). A instituição pertencia ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e havia adquirido o antigo Banco Voiter, que integrava o grupo investigado por supostas fraudes financeiras.
Em nota, o FGC informou que terá de honrar aproximadamente R$ 4,9 bilhões em depósitos cobertos de clientes do Pleno. “O Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões”, declarou o fundo.
Esse montante se soma a cerca de R$ 53 bilhões já comprometidos pelo FGC com o socorro ao Master, incluindo uma linha emergencial de liquidez concedida em 2025, a liquidação do próprio banco em novembro e o encerramento das atividades do Will Bank, também ligado ao grupo, em janeiro.
Como o Pleno já havia se desvinculado formalmente do conglomerado Master, os investidores poderão ser ressarcidos em até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, conforme as regras do fundo, que funciona como uma espécie de seguro para depósitos bancários e aplicações financeiras. Procurado, o FGC informou que o cálculo oficial do impacto total ainda está em análise.

Diante da dimensão do rombo potencial, o conselho do FGC aprovou um plano emergencial para recompor sua liquidez e garantir capacidade de cobertura. A estratégia prevê a antecipação, pelos bancos associados, de contribuições futuras equivalentes a cinco anos, divididas em três parcelas mensais. O plano inclui ainda novos adiantamentos em 2027 e 2028, totalizando sete anos de contribuições antecipadas ao fundo.
Além disso, as instituições financeiras discutem elevar temporariamente o valor das contribuições mensais ao FGC entre 30% e 60% por um período mínimo de cinco anos, medida considerada necessária para restaurar o nível de proteção do sistema financeiro. O objetivo é assegurar que, até o fim do primeiro trimestre, o fundo disponha de caixa compatível com o risco atual do mercado bancário.
Outra proposta em avaliação dentro do setor financeiro prevê o uso de recursos do compulsório sobre depósitos à vista para reforçar a liquidez do FGC.
A iniciativa, no entanto, depende de autorização do Banco Central, que ainda não se pronunciou sobre a possibilidade. Em comunicado, o fundo afirmou que não comenta alternativas específicas, mas confirmou que discute a recomposição financeira com os bancos e o BC. “As discussões estão em andamento e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo”, informou.