
A divulgação de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos expôs a relação entre universidades americanas e Jeffrey Epstein. O financista, que morreu em 2019 na cadeia enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual, manteve contatos com acadêmicos e instituições de prestígio em meio à constante busca por recursos no ensino superior.
Epstein doou ou prometeu doações a universidades como Harvard, MIT, Stanford, Columbia e Bard College. Em troca, aproximava-se de professores e dirigentes, em um ambiente no qual a captação de recursos é parte central da gestão universitária. Muitas dessas interações ocorreram mesmo após ele ter se declarado culpado, em 2008, por solicitar prostituição de uma menor.
Acadêmicos citados nos documentos afirmam que o contato tinha como único objetivo financiar pesquisas e laboratórios. “Como venho dizendo há anos, o envolvimento com Jeffrey Epstein estava a serviço de uma única agenda, que era a captação de recursos para o Bard”, declarou Leon Botstein, presidente da instituição.
Nicholas Christakis, de Yale, afirmou ter encontrado Epstein apenas uma vez, “no contexto de captação de recursos para meu laboratório”, acrescentando: “Nunca recebemos nenhum financiamento dele”.

Antonio Damasio, da University of Southern California, relatou ter participado de um jantar com Epstein após colegas mencionarem seu interesse em ciência. Segundo ele, não houve repasse de recursos. Enquanto isso, parte das universidades tentou se distanciar do caso, devolvendo valores recebidos e reconhecendo falhas nos critérios de avaliação de doadores.
Relatórios internos apontaram que o financista buscava associar sua imagem ao prestígio acadêmico. Em 2020, Harvard afirmou que pedidos para destacá-lo em seu site “pareciam fazer parte de um esforço maior para reabilitar” sua reputação.
Para Nicholas S. Zeppos, ex-reitor da Universidade Vanderbilt, “ter uma dessas universidades como parte do seu portfólio filantrópico adiciona uma quantidade enorme de credibilidade”. Ele afirma que o caso de Epstein revelou “uma vulnerabilidade no sistema”.
“Às vezes, essas coisas são como casos de acidentes aéreos que poderiam ser evitados — um conjunto de circunstâncias que deveria disparar alertas para todos, mas o sistema simplesmente falha”, completou.