
O Banco Central liquidou nesta quarta (18) o Banco Pleno, antigo Voiter, após a instituição ficar sem recursos para honrar CDBs que estavam vencendo. O controlador Augusto Lima usou cerca de R$ 600 milhões do próprio patrimônio para tentar manter a operação enquanto buscava um investidor, o que não se concretizou.
Ao adquirir o Voiter no ano passado, Lima assumiu um passivo estimado em R$ 6 bilhões em CDBs, além de dívidas com antigos controladores. Na época, o Banco Central já havia determinado a suspensão da emissão de novos títulos para evitar aumento da exposição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Mesmo com aportes pessoais, o caixa não foi suficiente para sustentar o banco. A liquidação era considerada provável por agentes do mercado diante do volume elevado de compromissos assumidos. Com a decisão do BC, os bens de Lima ficaram indisponíveis. Parte dos recursos pessoais injetados na instituição deve reduzir o impacto sobre o FGC, responsável por ressarcir investidores dentro dos limites previstos em lei.

O episódio ocorre em meio às repercussões do caso envolvendo o conglomerado Master, do qual Lima foi sócio de Daniel Vorcaro. Desde novembro do ano passado, outras instituições ligadas direta ou indiretamente ao grupo foram liquidadas, após a operação Compliance Zero da Polícia Federal.
A venda do Voiter para Lima havia sido aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, no contexto da análise da negociação do Master com o BRB. Embora Lima não fosse investigado formalmente no momento da aquisição, já havia suspeitas sobre operações de crédito no conglomerado.
Com o agravamento da crise, Lima foi afastado da gestão do Pleno, que passou a ter nova direção. Ainda assim, segundo relatos de pessoas próximas ao caso, sua esposa Flávia Peres teria atuado na condução prática do banco.
O Banco Central nomeou José Eduardo Victória como liquidante para conduzir o processo. A liquidação do Pleno reforça a sequência de intervenções em instituições associadas ao Master e amplia os efeitos do caso no sistema financeiro.