Trump avalia ataque ao Irã enquanto Pentágono reposiciona tropas e porta-aviões avançam

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 23:27
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Anna Moneymaker/Getty

Altos funcionários da área de segurança nacional informaram ao presidente Donald Trump que as Forças Armadas dos Estados Unidos estariam preparadas para realizar eventuais ataques contra o Irã já a partir de sábado. Ainda assim, segundo fontes ouvidas pela CBS News, o calendário de qualquer ação tende a ultrapassar o próximo fim de semana.

Trump ainda não tomou uma decisão definitiva sobre autorizar ou não um ataque. As discussões seguem em curso na Casa Branca, que avalia riscos de escalada militar, impactos políticos e as consequências estratégicas de optar pela contenção.

Nos próximos três dias, o Pentágono deve transferir temporariamente parte de seu pessoal do Oriente Médio — sobretudo para a Europa ou de volta aos Estados Unidos — diante da possibilidade de ofensivas ou retaliações iranianas caso uma operação americana seja iniciada. De acordo com autoridades, esse tipo de movimentação faz parte dos protocolos habituais antes de atividades militares e não significa, por si só, que um ataque seja iminente.

Procurado na quarta-feira à tarde, um porta-voz do Pentágono afirmou não ter informações adicionais a divulgar.

O secretário de Estado, Marco Rubio, pretende visitar o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu dentro de cerca de duas semanas para novas conversas, segundo uma das fontes.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que existem “muitos argumentos” favoráveis a um ataque contra o Irã, mas ressaltou que a diplomacia é sempre a primeira opção do presidente. Ela não informou se uma eventual ofensiva seria coordenada com Israel.

Leavitt também afirmou que o governo realizou “uma operação muito bem-sucedida em junho” contra instalações nucleares iranianas e disse que o Irã deveria considerar um acordo com Washington.

Porta-aviões no entorno do Irã

O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln já se encontra na região, acompanhado de embarcações de guerra. Um segundo grupo, liderado pelo USS Gerald Ford, segue em direção ao Oriente Médio. Na quarta-feira, o Ford estava na costa da África Ocidental, conforme dados de rastreamento marítimo.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, publicou na terça-feira uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando o porta-aviões Ford afundado. Em mensagem na rede X, afirmou que, embora um navio de guerra seja um equipamento perigoso, mais perigosa ainda seria a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar.

Negociações nucleares seguem sem acordo

Negociadores iranianos e americanos participaram de conversas mediadas em Genebra, na Suíça, sobre o programa nuclear iraniano. As reuniões duraram várias horas. O governo Trump indicou que houve algum avanço, mas Leavitt reconheceu que as partes permanecem distantes em pontos importantes.

Segundo ela, o Irã deve apresentar novos detalhes nas próximas semanas, enquanto o presidente acompanha a evolução do processo. Não há data definida para uma nova rodada formal de consultas.

Em dezembro, durante encontro em Mar-a-Lago, Trump teria informado a Netanyahu que apoiaria ataques israelenses contra o programa de mísseis balísticos do Irã caso não fosse possível alcançar um acordo entre Washington e Teerã, segundo duas fontes.

Na quarta-feira, o Irã alertou pilotos para evitarem o sul do país na quinta-feira, devido a lançamentos de foguetes.

Em junho passado, os Estados Unidos participaram, ao lado de Israel, de ataques contra instalações nucleares iranianas durante um conflito de 12 dias. Avaliações de inteligência apontaram danos severos ao programa nuclear do regime.

Antes desse conflito, o Irã havia ampliado o enriquecimento de urânio após a saída dos EUA do acordo nuclear firmado em 2014. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, o país passou a enriquecer urânio a até 60% de pureza — nível próximo ao necessário para uso em armas — sendo o único país sem bomba nuclear a atingir esse patamar.