Toffoli e Vorcaro se encontraram pelo menos 10 vezes, diz PF

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 10:37
Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

O relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta mais de dez encontros entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre 2023 e 2024, período em que o magistrado ainda era relator das investigações envolvendo a instituição financeira. Segundo os investigadores, as reuniões ocorreram principalmente em eventos sociais em Brasília e indicariam uma relação mais próxima do que sugerem as conversas registradas entre ambos.

De acordo com a PF, mensagens analisadas mostram que os encontros incluíram jantares e festas, além de um convite para a comemoração de aniversário do ministro.

O relatório, obtido pelo Uol, sustenta que a frequência das reuniões contrasta com a versão apresentada por Toffoli, que negou amizade com Vorcaro e afirmou não haver motivo para questionamentos sobre sua atuação no processo. Procurados para comentar o teor das conclusões, o ministro e o banqueiro não responderam.

Fachada do Banco Master. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

A entrega do documento ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, levou Toffoli a deixar a relatoria dos casos relacionados ao Banco Master na semana passada. Os inquéritos foram redistribuídos por sorteio ao ministro André Mendonça.

Durante reunião interna da Corte, segundo relatos divulgados pela imprensa, o ministro Luiz Fux comentou que Vorcaro e Toffoli teriam mantido apenas “seis minutos de conversa” entre si, embora a investigação mencione outros encontros.

O relatório também menciona movimentações financeiras consideradas relevantes pela PF. Investigadores apontaram repasses de R$ 35 milhões do fundo Arleen, ligado ao banqueiro, para a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio com familiares. A transferência chamou atenção porque ocorreu anos após a venda de participação da empresa no resort ao próprio fundo, realizada em setembro de 2021. Os pagamentos citados nas mensagens analisadas teriam ocorrido entre 2024 e 2025.

Em nota pública divulgada após a revelação dos fatos, Toffoli declarou que “o ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. O comunicado acrescenta que “o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

A divulgação do relatório e o vazamento de detalhes da reunião em que se decidiu pela saída de Toffoli da relatoria provocaram tensão interna no Supremo, segundo fontes da Corte.

Há suspeitas entre ministros de que conversas reservadas possam ter sido gravadas, o que ampliou a crise institucional em torno do caso. A investigação segue sob responsabilidade do STF, que deverá analisar as conclusões da Polícia Federal e eventuais desdobramentos judiciais.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.