
Especialistas em doenças infecciosas avaliam que 2026 começa com um cenário de vigilância redobrada. Fatores como aquecimento global, aumento da mobilidade internacional e crescimento populacional criam condições favoráveis para que vírus circulem com mais intensidade.
Em artigo na revista The Conversation, o infectologista Patrick Jackson, da Universidade da Virgínia, aponta três ameaças prioritárias: Oropouche, H5N1 e mpox. O primeiro é transmitido por pequenos mosquitos e deixou de ser restrito à região amazônica, ampliando sua circulação na América Latina e no Caribe.
Em 2024, o Brasil registrou as primeiras mortes associadas ao vírus. Até agosto de 2025, o país concentrava 90% dos casos nas Américas, com registros em 20 estados e cinco óbitos confirmados. Não há vacina nem tratamento específico, e a OMS apresentou proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de controle.
A gripe aviária H5N1 também preocupa. Após ser detectada em vacas nos Estados Unidos em 2024, o vírus passou a levantar temor de adaptação entre mamíferos. Desde então, os CDC confirmaram 71 casos humanos e duas mortes, sem evidência de transmissão comunitária. O risco, segundo especialistas, é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre pessoas, passo essencial para uma nova pandemia.

No Brasil, houve confirmação de gripe aviária em granja comercial em 2025. Vacinas específicas estão em desenvolvimento, já que as formulações atuais podem não oferecer proteção adequada contra a cepa. O Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos de segurança.
O mpox, antes restrito a regiões da África, ganhou dimensão global em 2022 com a disseminação do clado IIb. Desde 2024, o clado I, considerado mais grave, tem avançado na África Central. Casos recentes nos Estados Unidos envolveram pessoas sem histórico de viagem, o que mantém o vírus sob monitoramento constante.
Outras ameaças também figuram no radar. O chikungunya somou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com 155 mortes até setembro; no Brasil, foram 129 mil casos e 121 óbitos. O sarampo reapareceu em diversos países com a queda na vacinação, enquanto o vírus Nipah registrou surto recente na Índia, sem casos confirmados no Brasil.