Nova pandemia? Os três vírus que preocupam especialistas

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 11:54
Autoridades sanitárias em aeroporto. Foto: Getty Images

Especialistas em doenças infecciosas avaliam que 2026 começa com um cenário de vigilância redobrada. Fatores como aquecimento global, aumento da mobilidade internacional e crescimento populacional criam condições favoráveis para que vírus circulem com mais intensidade.

Em artigo na revista The Conversation, o infectologista Patrick Jackson, da Universidade da Virgínia, aponta três ameaças prioritárias: Oropouche, H5N1 e mpox. O primeiro é transmitido por pequenos mosquitos e deixou de ser restrito à região amazônica, ampliando sua circulação na América Latina e no Caribe.

Em 2024, o Brasil registrou as primeiras mortes associadas ao vírus. Até agosto de 2025, o país concentrava 90% dos casos nas Américas, com registros em 20 estados e cinco óbitos confirmados. Não há vacina nem tratamento específico, e a OMS apresentou proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de controle.

A gripe aviária H5N1 também preocupa. Após ser detectada em vacas nos Estados Unidos em 2024, o vírus passou a levantar temor de adaptação entre mamíferos. Desde então, os CDC confirmaram 71 casos humanos e duas mortes, sem evidência de transmissão comunitária. O risco, segundo especialistas, é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre pessoas, passo essencial para uma nova pandemia.

Homem infectado por mpox. Foto: Reprodução

No Brasil, houve confirmação de gripe aviária em granja comercial em 2025. Vacinas específicas estão em desenvolvimento, já que as formulações atuais podem não oferecer proteção adequada contra a cepa. O Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos de segurança.

O mpox, antes restrito a regiões da África, ganhou dimensão global em 2022 com a disseminação do clado IIb. Desde 2024, o clado I, considerado mais grave, tem avançado na África Central. Casos recentes nos Estados Unidos envolveram pessoas sem histórico de viagem, o que mantém o vírus sob monitoramento constante.

Outras ameaças também figuram no radar. O chikungunya somou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com 155 mortes até setembro; no Brasil, foram 129 mil casos e 121 óbitos. O sarampo reapareceu em diversos países com a queda na vacinação, enquanto o vírus Nipah registrou surto recente na Índia, sem casos confirmados no Brasil.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.