Dois membros do PCC são condenados por plano para matar promotor em SP

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 12:34
O promotor Lincoln Gakiya. Foto: Reprodução/CNN Brasil

A Justiça de São Paulo condenou dois integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) por envolvimento em um plano para matar o promotor Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina. Victor Hugo da Silva e Gabriel Custódio dos Santos receberam penas de cinco e sete anos de reclusão, respectivamente, em regime inicial fechado.

Os dois já estavam presos preventivamente por tráfico de drogas desde a operação Recon, realizada em outubro de 2025. Segundo as investigações, eles integravam uma célula estruturada da facção voltada ao monitoramento de autoridades públicas e familiares, com o objetivo de preparar atentados.

De acordo com o Ministério Público, o grupo realizava levantamentos detalhados da rotina das vítimas. A estrutura funcionava com divisão rígida de tarefas, de modo que cada integrante executava uma função específica sem conhecer todo o plano, estratégia que dificultava a identificação da trama.

O ataque foi detectado e neutralizado ainda na fase de vigilância. Materiais e equipamentos foram apreendidos e serão periciados para identificar outros envolvidos na etapa de execução. A sentença foi proferida pela juíza Sizara Corral de Arêa Leão Muniz Andrade, da 3ª Vara Criminal de Presidente Prudente.

Imagens de drone monitoraram a casa de Gakiya. Foto: Reprodução/GloboNews

Ao negar recurso em liberdade, a magistrada afirmou que a soltura de Victor Hugo resultaria na “imediata retomada do tráfico de drogas”. Em relação a Gabriel, mencionou a reincidência como “perigo gerado pelo estado de liberdade” e citou tentativa de fuga, destacando “a imprescindibilidade da contenção física para a aplicação da lei penal”.

Gakiya vive sob ameaça da facção há pelo menos duas décadas e está sob escolta policial permanente há dez anos. Integrante do Gaeco em Presidente Prudente, ele atuou na transferência de líderes do PCC para presídios federais, incluindo Marcola em 2019.

Em entrevista anterior, o promotor afirmou que “o PCC está pronto para funcionar sem ordens diretas dos líderes” e que a facção “age na prática como organização terrorista”. O Ministério Público aponta que planos de ataque a autoridades já foram encontrados em cartas apreendidas dentro de unidades prisionais.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.