Suspeito de matar menina no PR em 2006 é preso após confessar crime a enteada

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 19:15
Giovanna tinha nove anos quando foi morta. — Foto: Arquivo/RPC

Uma investigação de quase duas décadas teve uma reviravolta nesta quinta-feira (19) com a prisão de Martonio Alves Batista, de 55 anos, em Londrina, no norte do Paraná. Ele é o principal suspeito de estuprar e assassinar Giovanna dos Reis Costa, de apenas nove anos, em abril de 2006, na cidade de Quatro Barras. O caso, que estava arquivado após outros suspeitos terem sido inocentados em 2012, foi reaberto pela Polícia Civil (PC-PR) diante de novos e contundentes relatos que ligam o homem diretamente ao crime. Com informações do g1.

A reabertura do processo ocorreu após uma ex-enteada de Martonio denunciá-lo por abusos sexuais sofridos durante a adolescência. Segundo o depoimento, o suspeito utilizava o assassinato de Giovanna como uma ferramenta de coação para manter a jovem em silêncio. A delegada Camila Cecconello explicou que o homem era explícito ao ameaçar a vítima: “Nas ameaças, ele sempre cita que ele já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima. Em alguma das circunstâncias, ele fala assim: ‘eu já fiz mal pra uma Giovanna, você vai ser a próxima'”.

O histórico criminal de Martonio reforçou as suspeitas da polícia, já que em 2018 ele foi detido por instalar câmeras escondidas no banheiro feminino de sua pastelaria. Após a nova denúncia da ex-enteada, outras ex-companheiras do suspeito foram ouvidas e relataram comportamentos abusivos similares. Uma dessas mulheres revelou que Martonio confessou a autoria do assassinato de Giovanna, detalhando a dinâmica do crime de forma idêntica ao que foi registrado nos laudos periciais da época do homicídio.

De acordo com as investigações, o suspeito atraiu a criança para dentro de sua residência sob o pretexto de comprar rifas escolares que ela vendia no bairro. A delegada detalhou a confissão feita pelo homem a uma de suas ex-parceiras: “Ele relata que, na data dos fatos, a Giovanna estava vendendo rifas, e ele falou pra ela que não tinha dinheiro ali fora, só tinha dentro de casa. E falou para ela entrar na casa dele, que iria pegar o dinheiro. Assim que ela entrou, ele passou a sufocar e desmaiar ela e aí cometeu a violência sexual”.

Momento da prisão de Martonio, em Londrina. — Foto: PC-PR

Após cometer o crime, Martonio teria percebido que a vítima poderia identificá-lo por serem vizinhos, o que o levou a decidir pela morte da criança e ocultação do cadáver. O corpo de Giovanna foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos de lixo e amarrado com fios elétricos. Na ocasião, o suspeito chegou a ser interrogado, mas a investigação seguiu outras linhas que apontavam para rituais, o que acabou desviando o foco das autoridades sobre as evidências encontradas na casa do vizinho.

Entre as provas colhidas no passado que agora ganham relevância, estão fios de luz encontrados no quintal de Martonio idênticos aos usados para amarrar a vítima, além da limpeza suspeita da casa com água sanitária logo após o desaparecimento. Testemunhas afirmaram que uma ex-mulher de Martonio foi obrigada a ajudá-lo a eliminar vestígios biológicos do imóvel. Agora, ele responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável, além de outros crimes sexuais contra ex-familiares.

Durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva em Londrina, Martonio Alves Batista preferiu não se manifestar e permaneceu em silêncio durante o depoimento oficial. A Polícia Civil acredita que a prisão possa encorajar outras possíveis vítimas a procurarem a delegacia para relatar novos abusos. O caso segue sob segredo de justiça em relação a alguns detalhes para preservar as identidades das vítimas de estupro que colaboraram com a reabertura do inquérito.

A defesa do acusado, representada pelo advogado Eduardo Caldeira, informou que ainda não teve acesso à íntegra dos autos e à decisão judicial. Em nota oficial, o advogado declarou: “Qualquer manifestação mais aprofundada seria precipitada. O que posso informar é que no estado democrático de direito, toda pessoa tem o direito à ampla defesa, ao contraditório e a presunção de inocência. Assim que tivermos acesso oficial aos elementos do processo, adotaremos as medidas judiciais cabíveis”.