
O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou nesta quinta-feira (19) sua candidatura ao Tribunal de Contas da União (TCU), movimentando ainda mais a disputa pela vaga aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, prevista para o final deste mês. A entrada de Lopes na corrida aumenta a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tem a responsabilidade de conduzir a eleição e manter o acordo político firmado entre o PT e o Centrão.
Em um comunicado nas redes sociais, Lopes afirmou que sua decisão de se lançar como candidato foi fruto de conversas com lideranças políticas, incluindo Bolsonaro. Ele revelou já ter mais de 80 assinaturas de apoio de deputados e destacou a importância de fortalecer os órgãos de controle e garantir a fiscalização dos recursos públicos, especialmente após o governo federal destinar bilhões para áreas de controle e transparência.
A movimentação de Lopes formaliza o apoio do bolsonarismo à disputa, criando um novo foco de tensão, já que o PT e o Centrão estavam se articulando para apoiar o nome do deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga no TCU. Além disso, o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), também articula apoio para se lançar como candidato, mas só o fará caso haja a abertura de uma segunda vaga, o que não entra em conflito com a candidatura de Lopes.
A eleição no TCU ocorre em um momento delicado, com a tentativa de Hugo Motta de cumprir o compromisso político firmado com o PT em 2024, quando se comprometeu a apoiar Odair Cunha em troca do apoio do PT à sua candidatura à presidência da Câmara. Esse acordo, no entanto, está sendo questionado por membros do Centrão, que veem a votação secreta como uma oportunidade para lançar candidaturas alternativas e fragilizar a aliança com o PT.
Ver essa foto no Instagram
A candidatura de Hélio Lopes coloca em xeque o equilíbrio das negociações na Câmara. Com a possibilidade de diferentes blocos e bancadas se unirem para lançar candidatos avulsos, o processo eleitoral para o TCU se tornou um teste crucial para a habilidade de articulação de Hugo Motta. Deputados envolvidos nas negociações indicam que, com a entrada de Lopes na disputa, o resultado da eleição pode se tornar ainda mais imprevisível, uma vez que os votos individuais ganharão peso, dificultando a definição de um nome consensual.
A fragmentação do cenário reflete um momento de intensa disputa dentro da Câmara, onde diferentes interesses e lideranças buscam garantir sua influência nos órgãos de controle, como o TCU, mesmo em um cenário onde as articulações de longo prazo parecem ser incertas. A situação se intensifica devido à complexidade das escolhas dos candidatos e à resistência crescente dentro do Centrão, que, por sua vez, defende uma maior autonomia nas decisões políticas da Casa.
Com o apoio de Bolsonaro, Hélio Lopes agora se junta aos demais nomes fortes na disputa, o que coloca pressão sobre os demais candidatos, incluindo Odair Cunha (PT) e outros membros do Centrão. A disputa também desafia a liderança de Motta, que terá de navegar por um cenário político cada vez mais fragmentado para conseguir viabilizar o nome do PT para a vaga no TCU, mantendo a aliança com o partido.