
O sequestro de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos levou o governo Lula a revisar cenários estratégicos e solicitar uma avaliação urgente sobre a capacidade de defesa do Brasil diante de uma eventual ação militar estrangeira. O presidente manifestou preocupação com a operação em Caracas e pediu às Forças Armadas um diagnóstico detalhado sobre vulnerabilidades, especialmente no campo da defesa antiaérea. Com informações da Folha.
Em reuniões com os comandantes militares, Lula recebeu a avaliação de que o país não dispõe de equipamentos suficientes para dissuadir uma ofensiva externa de grande porte.
O diagnóstico também apontou que, diante de uma ação aérea conduzida por uma potência militar, haveria limitações significativas na capacidade de resposta brasileira. Apesar disso, integrantes do governo afirmam que o presidente não considera iminente um risco direto ao território nacional, mas quis mapear cenários possíveis.
O contexto regional já havia elevado o nível de alerta desde o fim de 2023, quando a Venezuela se mobilizou para anexar a região de Essequibo, pertencente à Guiana.
Naquele momento, o Brasil deslocou tropas, aviões e blindados para a fronteira norte como forma de dissuasão, diante da possibilidade de que forças venezuelanas atravessassem território brasileiro para uma eventual invasão por terra. Dois anos depois, a situação se inverteu, com a Venezuela se tornando alvo de intervenção.

A ofensiva ordenada pelo presidente estadunidense Donald Trump resultou no sequestro de Maduro em 3 de janeiro, com a justificativa de levá-lo a julgamento por crimes relacionados ao tráfico de drogas. O episódio foi interpretado por autoridades brasileiras como uma intervenção sem precedentes na América Latina e motivou a convocação de uma reunião de emergência no Palácio do Planalto em 15 de janeiro.
Participaram do encontro o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e do assessor especial Celso Amorim. Durante a reunião, Lula solicitou análises sobre as defasagens de curto e longo prazo na defesa nacional e possíveis respostas estratégicas diante de situações semelhantes.
Como resultado das discussões, os militares apresentaram um plano de investimentos de longo prazo estimado em R$ 800 bilhões ao longo de 15 anos, com o objetivo de fortalecer a capacidade de dissuasão do país. O projeto prevê aumento significativo dos gastos anuais com defesa, superando os valores atualmente destinados ao setor no orçamento federal.
Segundo autoridades que acompanham o tema, Lula recebeu o plano com interesse e passou a analisá-lo nos dias seguintes, diante da avaliação de que a América do Sul permanece vulnerável a crises geopolíticas.
Paralelamente, o governo brasileiro também busca reduzir tensões por vias diplomáticas, mantendo diálogo com Washington. O presidente brasileiro e Trump teriam intensificado contatos e avaliam um encontro na Casa Branca em março.