
A pesquisa Genial/Quaest, prevista para ser realizada na segunda semana de março, vai analisar a reação do eleitorado evangélico e católico conservador ao desfile da Acadêmicos de Niterói. O samba, que homenageou o presidente Lula, gerou revolta, especialmente por uma ala que satirizava a “família conservadora”.
Segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, a pesquisa buscará entender como essa representação afetou a percepção de políticos e eleitores religiosos. O desfile, realizado no dia 15 de fevereiro, foi criticado por conservadores, principalmente pela ala que trouxe foliões fantasiados de “neoconservadores em conserva”.
A fantasia representava os defensores da “família tradicional”, algo que gerou indignação entre líderes religiosos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela acusou a apresentação de ridicularizar a fé cristã e cobrou uma reação da Frente Parlamentar Evangélica.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também reclamou, acusando a ala do desfile de zombar da igreja evangélica e sugerindo que o governo estava conivente com a encenação. O senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando discriminação religiosa e escárnio público.

O episódio foi interpretado como mais um ponto de tensão na relação entre o governo de Lula e o eleitorado evangélico, que tem sido uma base importante de apoio, especialmente para o Partido dos Trabalhadores. O deputado e pastor Otoni de Paula (MDB-RJ) criticou o governo, afirmando que Lula cometeu o mesmo erro de Bolsonaro ao se comunicar de forma arrogante com sua base eleitoral, sem considerar as sensibilidades dos conservadores.
Outros parlamentares também manifestaram críticas, como o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que sugeriu que o presidente abusou do poder político em suas declarações sobre evangélicos.
A Acadêmicos de Niterói explicou que a ala com a fantasia de “família tradicional” visava representar grupos associados ao neoconservadorismo, como o agronegócio, os defensores da ditadura militar e os grupos religiosos. A escola de samba se defendeu, alegando que a intenção era criticar os valores e atitudes desses grupos, e não ridicularizar a fé cristã.