Por que o bilionário Leslie Wexner foi proibido por advogado de falar sobre Epstein

Atualizado em 20 de fevereiro de 2026 às 15:07
Leslie Wexner em loja da Victoria’s Secret,. Foto: The Wall Street Journal

Durante um depoimento no Congresso dos Estados Unidos, Leslie Wexner, ex-CEO da Victoria’s Secret, recebeu uma ameaça, em tom de brincadeira, do seu advogado, Michael Levy. “Eu vou te matar se você responder outra pergunta com mais de cinco palavras”, disse o defensor enquanto o bilionário era ouvido sobre o caso de Jeffrey Epstein.

O depoimento de Wexner se concentrou principalmente na sua relação com Epstein, com quem manteve uma proximidade durante mais de 20 anos. Apesar de confirmar que visitou a ilha privada de Epstein, ele negou ter conhecimento de qualquer atividade criminosa no local.

O ex-CEO ainda afirmou que cortou relações com Epstein há quase duas décadas, alegando que o financista havia desviado milhões de suas contas. Ao contrário do que alegou, no entanto, documentos do caso divulgados recentemente mostram que ele transferiu cerca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) para o financista em dinheiro e ações.

Arquivos do FBI, que antes haviam sido editados, agora revelaram que Wexner foi listado como um “coconspirador” no caso de tráfico sexual. O termo é usado para designar alguém que os promotores acreditam que participou de um crime, mas não podem acusar formalmente.

Jeffrey Epstein ao lado de Leslie Wexner. Foto: Divulgação/Departamento de Justiça dos EUA

O bilionário tentou se defender ao se descrever como “ingênuo e tolo”, afirmando que foi enganado por Epstein, a quem chamou de “vigarista de classe mundial”. Segundo o deputado Robert Garcia, “não haveria ilha de Epstein, avião ou dinheiro para tráfico sem o apoio de Les Wexner”.

A relação entre Wexner e Epstein foi marcada por um poder concedido pelo ex-CEO a Epstein. Em 1991, Wexner deu a Epstein uma procuração ilimitada sobre suas finanças, permitindo que o financista tomasse decisões financeiras em seu nome.

Epstein também viveu por anos em uma mansão em Nova York que anteriormente pertencia a Wexner. Durante esse período, ele usou o prestígio da Victoria’s Secret para recrutar modelos, com promessas falsas sobre oportunidades de trabalho.

O financista se apresentava falsamente como olheiro ou recrutador de modelos da Victoria’s Secret. Ele prometia vistos de trabalhos para modelos estrangeiras e, em 1997, foi acusado de agressão sexual por Alicia Arden, que relata que ele a atraiu para um hotel em Santa Monica sob o pretexto de uma entrevista.

Apesar das acusações e revelações, Wexner continua a negar qualquer envolvimento criminoso, mas a pressão sobre ele aumentou após o vazamento dos documentos do FBI. Ele não foi indiciado criminalmente até o momento.

@g1 Caso Epstein – O bilionário e ex-CEO da Victoria’s Secret Leslie Wexner enfrentou um momento tenso durante seu depoimento perante o Comitê de Supervisão da Câmara sobre seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Em dado momento, seu advogado, Michael Levy, cochichou em seu ouvido, e a advertência foi captada no microfone do depoimento. “Eu vou te matar se você responder outra pergunta com mais de cinco palavras”, sussurrou Levy a Wexner, em um trecho captado em vídeo divulgado pelo comitê na quinta-feira (19). Wexner, de 88 anos, depôs na quarta-feira e reconheceu que fez visitas à ilha do falecido financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, porém negou saber de qualquer atividade criminosa de Epstein. O ex-CEO da Victoria’s Secret também afirmou ter rompido relações com ele há quase duas décadas. Wexner, que foi o principal cliente de Epstein por cerca de 20 anos, aparece diversas vezes nos arquivos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, porém ele não é acusado de ter cometido qualquer crime. Apesar de figurar em trocas de e-mails com Epstein, Wexner foi intimado a depor após o deputado republicano Thomas Massie ter revelado que o ex-CEO da Victoria’s Secret é considerado pelo FBI como um coconspirador de Epstein, junto com Ghislaine Maxwell. Wexner, inclusive, é a primeira figura pública a depor desde a divulgação dos arquivos do caso após Ghislaine. Seu depoimento nesta semana atraiu grande atenção devido à associação de Epstein com figuras proeminentes antes de sua morte, em 2019. Veja mais em #g1. #casoepstein #estadosunidos #g1mundo #tiktoknotícias ♬ som original – g1

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.