Empresas abandonam escala 6×1 para conter falta de trabalhadores

Atualizado em 20 de fevereiro de 2026 às 19:27
Carteira de trabalho. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Diante da escassez de mão de obra, empresas do varejo passaram a encerrar a escala 6×1 e adotar modelos como o 5×2. Mesmo mantendo a carga horária semanal, companhias relatam aumento no interesse por vagas, além de redução de faltas e pedidos de demissão. Com informações do Uol.

O Grupo Savegnago, com 14 mil funcionários e unidades no interior paulista, acabou com a escala 6×1 em fevereiro, após testes iniciados em novembro. “Percebemos que a escala 5×2 poderia trazer mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional sem comprometer a operação”, afirmou Michel Campos, gerente de Recursos Humanos.

Segundo a empresa, houve melhora em indicadores internos. “Observamos maior engajamento. Quando a pessoa se sente valorizada e descansada, ela tende a atuar com mais disposição”, declarou Campos. Para manter as 44 horas semanais, a jornada diária foi ajustada sem redução salarial.

A rede Pague Menos, com 40 lojas e 8.000 funcionários, implementou definitivamente a escala 5×2 em janeiro. “Observamos redução significativa nos índices de absenteísmo [faltas] e turnover [rotatividade]”, afirmou Fernando Carneiro, diretor de Gente e Gestão. Ele acrescentou: “O número de candidatos e de vagas preenchidas dobrou”.

Loja da rede Pague Menos. Foto: Reprodução

No setor de serviços, o Hotel Palácio Tangará adotou a escala 5×2 com redução de 44 para 42 horas semanais para 329 funcionários. “A produtividade aumentou, com certeza”, disse o diretor geral, Celso D. Valle. A gerente Maria Carolina Sabbag afirmou: “Agora tenho um dia pra resolver a vida e outro pra descansar”.

Enquanto empresas relatam ajustes positivos, representantes da indústria apontam preocupações. O Ipea estima que a redução da jornada possa elevar custos trabalhistas, dependendo do modelo adotado. Entidades empresariais defendem que mudanças venham acompanhadas de ganhos de produtividade.