Colômbia abre precedente e libera candidatura de IA para o parlamento

Atualizado em 20 de fevereiro de 2026 às 20:03
Computador exibe Gaitana, inteligência artificial candidata às eleições legislativas da Colômbia em Bogotá. Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP

O Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia autorizou o registro de uma candidatura vinculada à inteligência artificial Gaitana IA para disputar assentos no Senado e na Câmara de Representantes. A iniciativa mira a Circunscrição Especial Indígena nas eleições legislativas em Bogotá.

Gaitana é apresentada nas redes como uma mulher de pele azul e voz robótica. A plataforma comunitária ligada ao projeto afirma reunir mais de 10 mil participantes, entre indígenas e afrodescendentes.

A legislação colombiana não permite que uma IA seja candidata formal. Por isso, o órgão eleitoral autorizou que representantes humanos ocupem os assentos e executem decisões produzidas pelo sistema.

O criador do projeto, Carlos Redondo, integrante da comunidade zenú, declarou que a IA sintetiza propostas enviadas pelos usuários e coleta opiniões antes de definir posições. Segundo ele, o modelo será usado para orientar votos no Legislativo, caso a candidatura seja eleita.

Redondo afirmou que Gaitana reduz textos legislativos extensos em materiais visuais, como infográficos, para facilitar a deliberação coletiva. O critério adotado pela plataforma considera consenso quando há maioria simples.

Questionado sobre a possibilidade de boicote interno, Redondo disse que uma mobilização de grande escala seria necessária para alterar decisões. Ele também afirmou que a estrutura tecnológica opera com três servidores.

O criador reconheceu limitações atuais em segurança de dados e na gestão de alto volume de opiniões divergentes. Declarou ainda que o impacto ambiental estimado do sistema é baixo.

 

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