POR NELICE POMPEU, professora, promotora legal popular e integrante do Movimento Escolas em Luta
Reafirmo: sou totalmente contra a federação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Trata-se de um debate que ainda está em aberto, sem resolução final. Justamente por isso, as divergências precisam ser respeitadas. Discordar faz parte da democracia.
É importante também explicar a diferença entre federação e coligação.
A federação partidária exige que os partidos atuem de forma conjunta por quatro anos. Já a coligação ocorre durante o processo eleitoral. É uma aliança para somar forças em determinada disputa.
Isso significa que, mesmo sem federação, os partidos podem se unir nas eleições quando houver convergência estratégica.
Foi o que aconteceu em São Paulo, na disputa pela Prefeitura, quando partidos estiveram juntos eleitoralmente, mesmo sem estarem vinculados a uma mesma federação.
Minha posição não é pessoal, nem motivada por animosidade. Trata-se de um posicionamento político legítimo, fundamentado na compreensão de que federação e coligação são instrumentos distintos, com impactos diferentes na autonomia partidária e na construção de projetos políticos.
Quando se tenta reduzir esse debate ao campo pessoal e ofensas, o que se faz é esvaziar a discussão e desviar do essencial: a análise das ideias, das estratégias e das consequências de cada escolha.
O debate precisa ser político e é nesse campo que ele deve permanecer.
