
Pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), divulgaram os resultados de um estudo que aponta melhora de memória em pacientes com Alzheimer tratados com cannabis medicinal. A pesquisa teve início em 2022 e os dados foram publicados em 2025.
O ensaio clínico acompanhou 28 voluntários entre 60 e 80 anos durante seis meses. Parte recebeu extrato com 0,350 mg de tetraidrocanabinol e 0,245 mg de canabidiol, enquanto outro grupo tomou placebo. Os testes cognitivos indicaram recuperação parcial da memória, redução de sintomas e avanço mais lento da doença.
De acordo com os cientistas, é o primeiro estudo clínico no mundo a comprovar ganho cognitivo com compostos da cannabis em pessoas com Alzheimer. Os pacientes que receberam o extrato apresentaram melhora nas escalas de avaliação, enquanto o grupo placebo manteve o declínio esperado do quadro.

O trabalho foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança e a Johns Hopkins University School of Medicine. A etapa inicial definiu a dosagem considerada eficaz e com baixo índice de efeitos colaterais, base para a consolidação do estudo.
Entre os participantes está Dona Nair Kalb Benites, de 76 anos, diagnosticada em 2017. Segundo o filho, houve diminuição da agitação e da irritabilidade após o tratamento. O extrato utilizado por ela é fornecido pela universidade.
O Alzheimer é uma doença degenerativa que compromete neurônios ligados ao raciocínio e a outras funções cognitivas. Dados do Sistema Único de Saúde apontam que 1,2 milhão de brasileiros convivem com o diagnóstico. A Alzheimer’s Disease International estima que a demência pode atingir 78 milhões de pessoas no mundo até 2030.