Casa onde Hitler nasceu vira delegacia e reacende debate na Áustria

Atualizado em 21 de fevereiro de 2026 às 18:13
Foto de 17 de fevereiro de 2026 mostra a inscrição “Pela Paz, Liberdade e Democracia – Nunca Mais o Fascismo”, em frente à casa onde nasceu Adolf Hitler — Foto: Joe Klamar/AFP

A transformação da casa onde Adolf Hitler nasceu, em Braunau am Inn, na Áustria, em uma delegacia de polícia reacendeu discussões sobre memória histórica e responsabilidade nacional. O imóvel, localizado próximo à fronteira com a Alemanha, passará a abrigar uma unidade policial a partir do segundo trimestre de 2026, segundo o Ministério do Interior.

O governo austríaco afirma que a medida busca “neutralizar” o local, evitando que ele se torne ponto de encontro para extremistas de direita. Em 2016, foi aprovada uma lei que permitiu ao Estado assumir o controle do prédio, então deteriorado e de propriedade privada.

Moradores demonstram opiniões divididas. Sibylle Treiblmaier, de 53 anos, disse que o prédio poderia ter sido “melhor aproveitado” e classificou a decisão como “uma faca de dois gumes”. A residência, onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 e viveu por curto período, fica em rua central da cidade.

Em frente ao imóvel, há uma pedra com a inscrição: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam”. Operários finalizam os ajustes na fachada reformada, que custou cerca de 20 milhões de euros.

Casa onde Adolf Hitler nasceu, em Braunau am Inn, será transformada em delegacia e decisão gera debate na Áustria.

Críticos também questionam a escolha da polícia como ocupante do espaço. Ludwig Laher, do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa vítimas do Holocausto, considera que “uma delegacia de polícia é problemática”, pois a corporação atua conforme determina o Estado vigente.

Outras propostas defendiam a criação de um centro dedicado à promoção da paz ou de um espaço educativo que contextualizasse historicamente o local. Para a comerciante Jasmin Stadler, seria importante inserir o imóvel em um “contexto histórico” mais amplo.

O debate ocorre em momento de avanço do Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita, fundado por ex-integrantes do regime nazista. Em 2024, a legenda obteve a maioria dos votos nas eleições legislativas, mas não conseguiu formar governo.

A Áustria foi anexada pela Alemanha nazista em 1938 e, durante o regime, cerca de 65 mil judeus austríacos foram assassinados e aproximadamente 130 mil foram forçados ao exílio. A discussão sobre como lidar com esse passado retorna de forma recorrente no país, especialmente diante do cenário político atual.