
Os atritos públicos entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Gilberto Kassab (PSD) ampliaram as incertezas sobre a composição da chapa à reeleição em São Paulo. Nos bastidores, aliados avaliam que Kassab perdeu espaço na disputa pelo posto de vice, hoje ocupado por Felício Ramuth (PSD), que enfrenta desgaste após revelação de investigação em Andorra por suposta lavagem de dinheiro, o que ele nega. As informações são do Globo.
A relação entre governador e dirigente se deteriorou após declarações públicas. No dia de uma visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro (PL), Kassab afirmou que “gratidão é uma coisa, outra coisa é submissão”. Tarcísio respondeu com indireta: “as pessoas, às vezes, querem rotular lealdade como submissão” e acrescentou que “amizade e lealdade na política viraram atributos raros”.
Na sequência, Kassab reafirmou que o PSD terá candidatura presidencial e citou ter feito “bons amigos e conselheiros na política”. Em meio à repercussão, disse que não considerava Tarcísio submisso e atribuiu a polêmica a “incompreensão textual ou má-fé”. O episódio foi lido no Palácio dos Bandeirantes como “desabafo” e também como “fogo amigo”.

Ramuth tenta manter a vaga de vice e avalia permanecer no PSD, mas pode trocar de legenda caso encontre obstáculos internos — o prazo para filiação termina em 4 de abril. A crise ganhou novos contornos após notícia de que um tribunal de Andorra bloqueou US$ 1,4 milhão de conta atribuída ao casal Ramuth; o vice afirma que os valores são lícitos e declarados à Receita Federal.
Se o desgaste avançar, cresce a hipótese de o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Alesp, integrar a chapa. Um grupo de parlamentares articula carta de apoio. “Passado o momento das filiações… vamos ter a escolha do vice”, disse Prado, defendendo unidade “para a gente não se dividir”.
O ambiente político também mudou com ajustes na articulação do governo. Tarcísio substituiu o comando da Casa Civil e reforçou a leitura de que a condução do ano eleitoral ficará sob sua órbita, não a de Kassab. Com o PSD sob pressão e o PL organizado na Alesp, a definição do vice tornou-se peça central na estratégia de reeleição.