
A Folha de S.Paulo, em sua edição deste domingo (22) publicou um ranking internacional sobre jornada de trabalho que acabou comparando o Brasil a países como Butão, Sudão e Emirados Árabes Unidos para sustentar a ideia de que se trabalha pouco no país. A reportagem é feita na esteira das críticas do jornal ao projeto que visa acabar com a jornada 6×1.
O levantamento mostra que a média brasileira foi de 40,1 horas semanais em 2022 e 2023, abaixo da média mundial de 42,7 horas, mas acima de diversas economias desenvolvidas.
O próprio ranking indica que países com jornadas mais longas não figuram entre referências de desenvolvimento ou qualidade de vida.

Na outra ponta, nações com altos indicadores sociais aparecem com menos horas trabalhadas: França registra cerca de 31 horas semanais, Japão 35,5, Noruega 27,8 e Holanda 27,6. O Brasil, portanto, trabalha mais horas do que vários países centrais usados como parâmetro em debates sobre renda, bem-estar e produtividade.
Ao destacar comparações com países periféricos e ignorar que economias avançadas operam com jornadas menores, a abordagem da Folha desloca o foco do debate. Os dados disponíveis permitem constatar que menos horas trabalhadas coexistem, em diversos casos, com maior renda per capita, serviços públicos mais robustos e melhores indicadores sociais, sem que isso seja tratado como anomalia nos países ricos.