
Dois pacientes com lesões graves na medula espinhal voltaram a registrar ganhos de movimento e sensibilidade após receberem polilaminina, uma proteína extraída da placenta que ainda está em fase experimental. A repercussão levou a Anvisa a autorizar um estudo clínico com voluntários a partir de março; se as etapas avançarem, a previsão citada é de que o medicamento possa chegar ao público em até cinco anos.
Antes mesmo do começo do ensaio, a promessa já provocou uma corrida ao Judiciário: ao menos 50 pacientes acionaram a Justiça para tentar acesso ao tratamento de forma antecipada. O tema foi discutido no podcast Isso é Fantástico, apresentado por Maria Scodeler, com participação da repórter Flávia Cintra e da pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio, que detalhou as limitações e o caminho regulatório necessário até uma eventual liberação.
Tatiana contou que o grupo conseguiu conduzir “um estudo clínico pequeno”, “um estudo clínico piloto”, sem patrocinador externo, dentro da universidade — algo que ela descreveu como “muito raro”, especialmente por se tratar de “uma droga nova, uma droga injetável”. Ela atribuiu o avanço a uma combinação de “uma crença de que o impossível é possível” e ao esforço voluntário: “Quase todo mundo estava trabalhando por amor”.

Entre os relatos citados está o de Hawanna Cruz Ribeiro, 28, atleta paralímpica de rugby em cadeira de rodas, paciente da polilaminina desde 2020. Ela diz que se acidentou aos 19, em 8 de setembro de 2017, ao cair do terceiro andar (cerca de 10 metros), sofrer traumatismo craniano e fraturar três vértebras do pescoço.
Hawanna afirma que, após o tratamento, recuperou sensações que não eram esperadas para sua lesão — “Se uma mosca pousar na minha canela, eu sinto” — além de perceber temperatura e dor com algum atraso. Ela também relata melhora na sensibilidade de bexiga e intestino, ganho de controle de tronco, redução de episódios de perda de urina e fortalecimento de braços e costas.
A Anvisa, em nota, enfatizou que “só os ensaios clínicos controlados e em todas as fases” podem comprovar “a segurança e a eficácia do produto”. A agência também lembrou que, quando o paciente não se encaixa nos critérios do estudo, pode haver possibilidade de acesso via “uso compassivo”.
Metadescrição (SEO): Polilaminina, proteína da placenta, é estudada como terapia para lesão medular; Anvisa autorizou ensaio clínico e ao menos 50 pacientes já buscaram acesso na Justiça.