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Morte de “El Mencho” causa onda de violência no México com carros incendiados e rodovias bloqueadas

Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, morto em operação militar no México • DEA via Newsource

A morte de o traficante Nemesio Ruben Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, desencadeou uma onda de violência em várias regiões do México neste domingo (22). O líder do Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das organizações criminosas mais poderosas do país, morreu após confronto com forças de segurança no município de Tapalpa, no estado de Jalisco.

Segundo a Secretaria de Defesa Nacional, ele foi ferido durante a operação e morreu enquanto era transferido de avião para a Cidade do México.

A ofensiva provocou reação imediata de grupos armados ligados ao cartel. Homens armados incendiaram veículos, bloquearam rodovias e espalharam o caos em pelo menos meia dúzia de estados.

Guadalajara, capital de Jalisco e uma das sedes da próxima Copa do Mundo da FIFA, ficou praticamente deserta à noite. Vídeos nas redes sociais mostraram passageiros correndo no aeroporto da cidade e fumaça cobrindo áreas turísticas como Puerto Vallarta.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, pediu que a população permanecesse em casa e suspendeu o transporte público. Aulas foram canceladas em diversos estados. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, elogiou as forças de segurança e pediu calma.

Em publicação na rede X, afirmou que há “coordenação absoluta com os governos estaduais” e que, na maior parte do território nacional, as atividades seguem normalmente.

A operação contou com “informações complementares” das autoridades dos Estados Unidos. Além de Oseguera, quatro integrantes do CJNG morreram na ação e outros dois durante a transferência para a capital. Dois suspeitos foram presos. As forças de segurança apreenderam veículos blindados, lança-foguetes e armamento pesado. Três militares ficaram feridos e receberam atendimento médico.

“El Mencho”, de 59 anos, tinha recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos. O CJNG é classificado por Washington como organização terrorista e é acusado de enviar cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil para o mercado americano.

‘El Mencho’, líder do cartel Jalisco Nova Geração, com seu filho Ruben Oseguera Gonzalez, conhecido como ‘El Menchito’ — Foto: Divulgação / Corte do Distrito de Columbia

O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, chamou Oseguera de “um dos chefes do narcotráfico mais sanguinários e impiedosos” e afirmou que a morte representa “um grande avanço para o México, os EUA, a América Latina e o mundo”.

O Departamento de Estado americano emitiu alerta para que cidadãos evitem circular em estados como Jalisco, Tamaulipas, Michoacán, Guerrero e Nuevo León. O Canadá também publicou aviso de viagem citando tiroteios e explosões, recomendando que seus cidadãos em Puerto Vallarta permaneçam em local seguro.

Companhias aéreas como Air Canada, United Airlines e American Airlines suspenderam voos para Puerto Vallarta e Guadalajara devido à situação de segurança. A ofensiva contra Oseguera ocorre em meio à pressão do governo do presidente Donald Trump para que o México intensifique o combate ao tráfico de drogas, incluindo ameaças americanas de intervenção direta.

O CJNG é considerado tão poderoso quanto o cartel de Sinaloa e mantém presença em todos os 50 estados dos EUA. É um dos principais fornecedores de cocaína para o mercado americano e lucra bilhões com a produção de fentanil e metanfetamina.

Ex-policial e ex-produtor de abacate, Oseguera começou no tráfico nos anos 1990. Migrou para os Estados Unidos quando jovem e foi condenado em 1994 por conspiração para distribuir heroína, cumprindo quase três anos de prisão na Califórnia.

Após ser deportado para o México, ingressou na polícia local e voltou ao narcotráfico ao lado de Ignacio “Nacho” Coronel. Depois da morte de Coronel, fundou o CJNG por volta de 2007 ao lado de Erik Valencia Salazar, conhecido como “El 85”.

O FBI descrevia Oseguera como um dos fugitivos mais procurados do México e classificava o CJNG como um dos cartéis mais violentos do país, responsável por homicídios contra grupos rivais e agentes da lei. Sob sua liderança, a organização ampliou sua capacidade de tráfico e consolidou reputação de extrema brutalidade.

A morte de “El Mencho” marca um dos golpes mais significativos contra o crime organizado mexicano desde a captura de líderes históricos do cartel de Sinaloa, como Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael Zambada.