Racha no bolsonarismo afasta Centrão de aliança por Flávio nas eleições; entenda

Atualizado em 24 de fevereiro de 2026 às 9:28
Flávio, Nikolas Ferreira e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

Lideranças do centrão avaliam que as brigas públicas dentro do PL, especialmente envolvendo integrantes da família Bolsonaro, têm dificultado a articulação política do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e comprometido a imagem de moderação que o senador tenta construir para ampliar alianças.

Nos bastidores, dirigentes de partidos de centro afirmam que o clima de instabilidade na sigla gera incerteza sobre qual grupo terá maior influência nas decisões eleitorais, segundo a Folha de S.Paulo.

Nos últimos dias, episódios envolvendo os irmãos de Flávio ampliaram a tensão interna. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro criticou publicamente o deputado Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto o ex-vereador Carlos Bolsonaro entrou em atrito com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

Para lideranças do centrão ouvidas sob reserva, essas disputas fragilizam negociações e reforçam dúvidas sobre a capacidade de coordenação da campanha.

Desde que foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto, Flávio enfrenta também um distanciamento de Michelle, que teria sido mantida à margem do processo de sucessão, mas demonstra intenção de participar das decisões da legenda. Aliados avaliam que o senador tenta se firmar como uma alternativa bolsonarista menos radical, estratégia que poderia ser prejudicada por conflitos familiares e declarações mais duras de outros membros do clã.

Uma liderança do centrão considera que Flávio errou ao anunciar Eduardo como possível ministro de Relações Exteriores em caso de vitória, interpretando o gesto como um reforço a posições mais ideológicas. Ainda assim, o senador tem buscado demonstrar unidade e estará ao lado de Nikolas Ferreira na manifestação bolsonarista convocada para o próximo domingo (1º), movimento visto como tentativa de reduzir tensões após críticas públicas.

Michelle e Eduardo Bolsonaro na tentativa de acompanhar posse de Trump. Foto: reprodução

Em entrevista ao SBT News, Eduardo afirmou que o apoio de Michelle e Nikolas ao irmão está “aquém do desejável” e disse que ambos atuam de forma alinhada entre si.

“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê que um, lado a lado, compartilha o outro e apoia o outro na rede social, só estão com uma amnésia aí. Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas a toda hora”, declarou.

Nikolas respondeu apontando outras prioridades do campo bolsonarista: “Nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde, você tem as pessoas do dia 8 [de janeiro] presas e precisando ajudar a derrubar o veto à [proposta da] dosimetria, você tem o STF envolvido em diversos escândalos, você tem o Lula fazendo literalmente de tudo para poder destruir esse país e a prioridade é nos atacar. Então, isso diz muito mais sobre ele do que a mim”.

Outro foco de tensão envolve Carlos Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. O ex-vereador afirmou que Jair Bolsonaro prepararia uma lista de pré-candidatos ao Senado e governos estaduais, enquanto o presidente do PL sustentou que a palavra final do ex-presidente se restringe ao Senado.

“Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros”, afirmou Valdemar. Carlos reagiu sugerindo isolamento político do pai: “Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar! Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais…. Estranho!”.

Aliados de Flávio defendem cautela e avaliam que Michelle deverá aderir à campanha no momento considerado adequado. Internamente, há o reconhecimento de que o senador depende do apoio da ex-primeira-dama e de lideranças como Nikolas para consolidar uma candidatura competitiva.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.